quarta-feira, 15 de março de 2017


Três camisolas.

Duas delas com mais de 20 anos (o mais provável é terem mais de 30) e uma mais recente.

Sobre o seu histórico: uma foi feita em Portugal (20% acrílico, 80% lã), a outra foi feita nas ilhas Maurícias, com uma etiqueta deliciosa em Francês (20% acrílico, 80% lã), a última é foi feita em casa, (100 % acrílico ou mistura também com uma grande percentagem de acrílico a julgar pelo fio porque não tenho a composição).
A cinzenta – feita em Portugal, comprada o ano passado.
A do meio – com mais de 20, 30 anos, feita nas ilhas Maurícias
A da direita – com mais de 20, 30 anos, feita em casa (já não me lembro se pela minha avó ou pela minha mãe).

Ao ler o livro da Safia Minney encontrei algumas coisas com que concordava, outras nem tanto. O livro tem uma série de entrevistas e numa delas falava-se da regra das 30 vezes que basicamente define que não devemos comprar uma coisa se achamos que não a vamos usar menos de 30 vezes – todas as camisolas já bateram de longe esse record.

Isto para dizer que não concordo com a regra das 30 vezes – a roupa tem que durar muito mais que isso.

Quanto à origem e composição, isso sim tento fazer uma escolha ponderada do que visto, como foi feito e que materiais levou (comprar uma blusa 80% lã para mim já é bastante aceitável, até porque ambas as blusas que têm esta composição não têm borbotos e não estão com sinais do tempo) mas acima de tudo tento apostar em peças que tenham qualidade mesmo que já tenham uns anos (a do meio era do meu pai e que uso aos fins-de-semana, e a da direita era da minha mãe – como 30% do meu roupeiro).



A questão de comprar bem, sustentável, ético, fair trade, etc é importante mas para mim não bate no ponto sensível que inevitavelmente é o que mais me choca – a quantidade de roupa que se compra e que se deita fora (este documentário mostra bem esta realidade). Sim, é importante comprar sustentável mas até que ponto é sustentável comprar muito (ainda que ético, fair trade, etc)?


Não estou a dizer que vivo num mundo perfeito e que faço tudo bem, mas cada vez mais me parece que é importante partilharmos as nossas experiências para que estes assuntos deixem de parecer uma coisa muito exótica e comecem a ser uma realidade. Não é difícil encontrar peças bem feitas, basta ser um bocadinho crítico e saber onde encontra-las. Também não é preciso comprar 10 camisolas a 10 euros por ano e torcer o nariz a uma de 50 porque é muito cara quando se fizermos as contas ao final do ano poupámos dinheiro e ficámos com uma peça mais durável.

Uma coisa que li e que concordo é que se vamos a olhar para todos os problemas ao mesmo tempo perdemos perspetiva e de repente como consumidores nada serve – um não é ético, o outro não é bio, o outro é fabricado em condições duvidosas… Para isso defini um conjunto de requisitos e a sua hierarquia e é isso que me leva a comprar – ou não – uma peça de roupa ou o que quer que seja.


A minha experiência nestes assuntos ainda não é muita, mas hoje em dia dou por mim a ler muita coisa, muitas opiniões e muitas perspetivas diferentes e desta vez partilhei a minha.


Quanto ao livro, apesar de não ter ficado na minha lista de favoritos acho que é interessante e que deve ser lido mais que não seja para concordar ou discordar e nos levar a querer saber mais e ser mais consciente como consumidor. Pelo menos a mim, foi isso que fez.

Caso este seja um assunto do vosso interesse recomendo vivamente este livro.



domingo, 12 de março de 2017



Este novelo (Se é que se pode chamar assim) apareceu cá em casa porque um amigo meu o comprou por engano no ebay (era para chegar um cobertor tipo os Ohhio mas chegou o novelo para o fazer)

A lã estava demasiado comprimida para fiar (tentei, sem resultados) o que me limitou um bocado as opções. Acabei por ir abrindo o fio (estou a explicar-me bem?) em pedaços cada vez mais finos que uni feltrando com uma agulha de feltrar e uma esponja. De um “novelo” grande e espesso acabei por ficar com vários novelos mais “finos” – usei agulhas tamanho 20 para tricotar (as mais grossas que tenho) e acabei por fazer uma gola inspirada nos princípios da “waldo cowl pattern” do blog your daily dose of fiber.

Ainda me sobrou bastante lã mas como não sou fã de feltrar e para fiar é impossível as opções são poucas.


Logo se vê o que vai sair.




sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017


Depois de muito tempo a trabalhar com lã limpa e trabalhada por mim ou por pessoas que me dizem muito fiz “batota” e comprei mechas processadas industrialmente de lã para fiar. O resultado e o modo de trabalhar é bastante diferente. Pela primeira vez consegui fazer um fio homogéneo e uma torção que para mim funciona. Não estou a dizer que não vou voltar a limpar lã, mas sem as ferramentas certas não me parece que seja viável.

As meias são as maiores peças que tricotei com lã fiada por mim. Da mesma mecha saíram umas luvas sem dedos, muito simples para oferecer. As meias são para o Miguel, que me roubou as de Arga e que agora não tem desculpa que só tem um par de meias mesmo quentes.






quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017





O Verão passado o Ricardo e a Rita trouxeram-me lã das Orkney. Apesar da textura ser diferente, em termos de espessura fez-me muito lembrar a Holst Coast. Como tenho uma malha muito larga optei por trabalhar com agulhas 2.25 – 2.50. Fiz um par de meias e luvas sem dedos que estão sempre na minha mala desde que foram feitas (o facto de serem muito finas e quentes é um ponto bónus).  As meias ainda precisam de ser rematadas.


Não compro lã há pelo menos 6 meses – entre a lã que me têm dado (quando alguém vai a algum lado e me perguntam o que quero peço sempre lã ou linha para tricot) e a que tenho fiado estou bastante entretida. 


Entretanto, há novos episódios do Raw Craft. Continuam a ser todos muito bons, mas o do sapateiro merece ser visto.




domingo, 12 de fevereiro de 2017




A minha casa é bastante húmida. Escusado será dizer que a maioria das coisas que tenho em madeira não se adaptam muito bem a passar o Inverno e a roda de fiar não foi excepção.


Depois de passar algum tempo à procura [sem sucesso] de cera de abelha para móveis regredi para uma solução que usava nos móveis do meu quarto quando estava em casa dos meus pais, o óleo de cedro. Sei que não é o ideal, mas depois de passar com uma lixa muito fina e de lhe dar o óleo a roda ficou completamente diferente. De futuro gostava mesmo de conseguir achar a cera de abelha mas por enquanto o resultado foi positivo. De que serve ter as coisas senão nos preocuparmos minimamente com a manutenção?



Entretanto ando entretida com este livro e esta revista.