quarta-feira, 30 de abril de 2014



Não sou muito a favor de vir aqui mostrar o que uso ou deixo de usar, a não ser que ache que mereça a pena e neste caso acho que merece bem a pena.

A mala veio de um senhor na Praça da Figueira que as faz e vende e foi prenda de anos da avó. Apesar da minha mala em pele estar impecável e pronta para as curvas precisava duma maior para por a(s) máquina(s) fotográfica(s) e outras coisas que não cabiam. Com estas as duas acho que estou servida de malas por muitos anos e não me vejo a querer outras nos próximos tempos.

As botas vieram de Mértola e são uma espécie de namoro de longa data – desde que expliquei ao meu pai o tipo de bota que queria que ele me disse que tinha que ir a Mértola porque havia lá um sapateiro que as tinha (ele próprio já teve umas de lá quando eu era pequena e que lhe duraram anos – exactamente o que eu queria). A sua prova de estreia foi passada com distinção – 4 horas a caminhar no mato e sem dores nos pés para umas botas a estrear para mim é de louvar.


Bons produtos fazem mesmo a diferença.


terça-feira, 29 de abril de 2014

Then and Now





I’ll tell you a small secret – this is one of my favorite photos of myself from when I was younger. I know where it was taken and somehow I kinda remember that day. I know where I was and I’ll always treasure this felling. The blouse I’m wearing was made by my gran. I adore it, even today.


Vou contar-vos um pequeno segredo – esta é uma das minhas fotos favoritas de mim em criança. Sei onde foi tirada e de certa forma lembro-me desse dia. Sei onde estava e irei guardar essa sensação com muito carinho, para sempre. A blusa que estou a usar foi feita pela minha avó e eu adoro-a. Até agora.



domingo, 27 de abril de 2014











It is not a long trip and yet for years I had forgotten to make it;

The truth is this land has never threatened me badly and always found a way to give me exactly what I needed. It is always a cathartic sensation coming back. Every single time, I don’t feel like leaving.

Não é uma viagem longa, mas durante anos esqueci-me de a fazer;


A verdade é que esta terra nunca me tratou mal e sempre me deu exactamente aquilo que estava a precisar. É sempre uma sensação catártica voltar. Nunca, mas nunca apetece partir. 



segunda-feira, 14 de abril de 2014

A lã que viajou mais que as ovelhas

Depois da minha enorme frustração com o desperdício de lã, uma boa notícia -  havia uma vizinha que ainda não tinha tosquiado as ovelhas e que me enviou uma caixa cheia de lã branca e com um bom bocado de lã preta. Fui buscar a lã no sábado à noite e domingo de manhã cedinho já estava no quintal do Miguel a lavá-la.

O processo foi mais ou menos uma colectânea de conhecimentos adquiridos – O que tenho andando a ler, o que vejo e o que a avó Ilda me disse.

Primeiro, a lã foi escolhida (não por mim, pela Ilda) – A pior ficou no Minho para se fazer almofadas e a que estava mais limpinha veio para Lisboa, para ser fiada.


No domingo, lavei a lã – primeiro com água morna para tirar a sujidade e principalmente a lanolina (a gordura natural que protege o fio). Se a água for muito fria a lanolina não se liberta, se for muito quente a lã feltra por isso aqui há que achar um compromisso. No “Manual do Fabricante de Tecidos” está uma série de banhos ácidos e alcalinos que podia experimentar contudo achei que 1) não era lã suficiente que justificasse preparar estes banhos 2) queria uma coisa mais natural, sem químicos (até porque se este processo já é feito há tanto tempo tem que haver uma maneira simples de o fazer) 3) pelo que li do processo tradicional e pelo que a Ilda me explicou não são precisos banhos ácidos e alcalinos nenhuns.



 Depois de tirar a maior parte desta gordura e da sujidade lavei a lã em água corrente com uma mangueira e um alguidar grande até a água sair limpinha.



Deixei o velo a secar ao sol, por cima de um telhado. Como estava sol, ao fim da tarde já tinha bocadinhos de velo secos. Os que não estavam ficaram esticados num estendal.



Agora era tempo de esgadelhar (tirar pequenas sujidades que tenham ficado e arranjar o velo) e cardar (“pentear” os fios dando-lhes orientação e preparando-os para fiar). Enquanto estava a esgadelhar o velo percebi que este era bastante macio e que ia ser fácil de fiar por isso experimentei com um bocadinho fiar e … saiu perfeito! Sem cardar! No dia anterior quando disse à Ilda que não tinha as escovas para cardar ela disse-me que não era preciso nada disso (adoro o lado prático da avó Ilda) – se esticasse os fios com as mãos com cuidado e paciência obtinha um bom resultado, o que foi verdade. Ela também me tinha avisado que lavar a lã com sabão só no final – a lã antes de ser lavada era mais fácil de fiar (verdade outra vez).




A verdade é que nunca fiei tão rápido nem tão bem como estou a fiar este fio - até consigo por o fuso manual a rodar sozinho, coisa que não conseguia.

Agora a próxima aventura vai ser torcer o fio – gosto demasiado dele para não o torcer e quero-o o mais resistente e durável possível, até porque quero dar-lhe o devido respeito que merece. Para isso preciso dum fuso especial (acho eu, pelo que tenho andado a ver) mas nada que com um bocadinho de imaginação não se faça.

No final posso dizer que estou satisfeita – o processo não é o bicho-de-sete-cabeças que tinha imaginado ao início e é gratificante saber que estou a conseguir fazer um fio meu.  



sábado, 12 de abril de 2014



“Este comunitarismo pastoril não sobreviveu, mas os rebanhos continuam a existir, sendo as raças mais comuns as Bordaleira do Entre-Douro-e-Minho e a Churra. Em consequência desta actividade pastoril a tosquia das ovelhas propiciava a lã com que se produziam mantas, capas de burel, cobertores, meias, perneiras, enfim tudo o que era preciso para cobrir e proteger o corpo. Tempos houve em que toda a lã saída da tosquia tinha procura certa, mas hoje, para espanto dos mais velhos, a lã é queimada por falta de quem a queira…” in “Mulheres de Bucos – Cabeceiras de Basto – Trabalho da lã”

Para espanto dos mais velhos e meu.

A semana passada pedi um bocadinho de lã para ver se conseguia prepará-la para fiar e curiosamente não fiquei espantada quando me disseram que as ovelhas já tinham sido tosquiadas e a lã tinha sido queimada. “Ninguém a quer” é a resposta que oiço sempre. Não sei se tem a ver com a minha formação, mas isto revolta-me. Revolta-me ver material com imenso potencial a ser desperdiçado e ao mesmo tempo estar a ver petróleo a ser gasto para fazer fibras sintéticas. Digam onde é que está a sustentabilidade disto, porque eu não estou a perceber. Há muitos anos visitei uma fábrica de fibras sintéticas e posso dizer que muita gente ia deixar de vestir o que veste se visse o que eu vi.

Voltando à conversa do “é queimada” e “ninguém a quer”, já a ouvi quando falei com uma veterinária na Serra dos Candeeiros, oiço-a vezes sem conta no Minho (de onde era suposto vir a lã que falei), li sobre ela neste livro e na generalidade quando digo que me interesso por todo o processo de processamento da lã é o que me dizem que na realidade é feito.

Eu sei que nem toda a lã é boa e nem toda a lã pode ser aproveitada mas como é que nos últimos anos um produto que era a base do sustento de quem criava as ovelhas se tornou uma dor de cabeça para quem as tem? Não há petróleo, vamos gastar petróleo a fazer fibras sintéticas. Há lã natural, vamos deitar a lã fora – vamos substituir o produto original por um produtor parecido. E quanto mais parecido for, melhor. Mas não pode ser o original.

A conversa vem sempre em forma de história “Antigamente fazia-se assim…” mas o que eu queria mesmo era ouvir “Agora faz-se assim, porque com o que aprendemos optimizamos o processo e tornámo-lo viável”.


Para mim, a situação actual não é viável.


sexta-feira, 11 de abril de 2014

Re-do / Re-fazer





There is definitely something wrong about me and blouses – I never like the first I make.

On my second try with this cotton I find myself loving the final result so far. I’ve used two different stitches and I am currently working in the back piece. Still deciding if I’ll put sleeves or not.

Deve existir definitivamente qualquer coisa de errado entre mim e fazer blusas – nunca gosto da primeira que faço.


À segunda tentativa com esta linha de algodão finalmente começo a gostar do resultado final. Utilizei dois pontos diferentes e agora estou a trabalhar na peça que vai fazer as costas. Ainda estou a decidir se lhe faço mangas ou não.



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Adding books to the library / A adicionar livros à biblioteca






If there is one thing I prefer to buy second handed is books. I think I spend more money in second handed books than with new books.

“O Senhor Sabe Tudo em Lisboa” (translation: Mr. Knows Everything in Lisbon [funny name right?]) is a book about an old man and a group of children visiting Lisbon. I love it.

"L'art de surprendre et de photographier les oiseaux et les insectes" is a truly fascinating book just for looking at the images – I know my rusty French will be put to the test when I’ll read it but I can promise I will try and I can’t wait to just sit and enjoy this book.

“O Manual do Fabricante de Tecidos” (translation: The manual for the textile manufacturer) is my one true love at the moment: a book about how every type of textile produced, different techniques and different types of products you can obtain (this one will have its own post in due time). I’m also in love with all the collection called “The library of professional instruction” which has a book about every type of industry you can imagine written in such a complete way and yet easy to understand (let’s face it, this will be my favorite but I want them all!).

Little by little my library is getting bigger.

Se há uma coisa que prefiro comprar em segunda mão são livros. Na verdade acho que acabo por gastar mais dinheiro a comprar livros em segunda mão do que livros novos.

“O Senhor Sabe Tudo em Lisboa” é um livro para crianças muito engraçado sobre um senhor de idade que vem de visita a Lisboa com um grupo de crianças suas amigas.

“L'art de surprendre et de photographier les oiseaux et les insectes" é um livro que me deixou simplesmente fascinada só a olhar para as imagens – já cheguei à conclusão que o meu francês [muito] fraquinho vai ser posto à prova mas posso prometer que vou dar o meu melhor para o tentar ler e mal posso esperar para me dedicar a ele.

“O Manual do Fabricante de Tecidos” é o meu verdadeiro amor de momento: um livro sobre a produção de  todo o tipo de têxteis, com diferentes técnicas e diferentes tipos de produtos que se consegue obter (em breve vou tentar fazer um post só sobre este livro). Também fiquei apaixonada pela colecção inteira “A Biblioteca de Instrução Profissional” que tem um livro para todo o tipo de indústria escrito de uma forma muito completa e fácil de compreender (ok eu admito que este será sempre o meu livro favorito da colecção, mas quero tê-la toda!).


Aos poucos a minha biblioteca está a crescer.




segunda-feira, 7 de abril de 2014

Carving Stamps/ Fazer carimbos





This started Saturday and went on until Sunday. For a long time now I wanted to make stamps and a trip to a store allowed me to take all the supply I needed – the idea was there and it worked exactly the way I wanted.

Soon I’ll show you the final stamps.

Brincadeira de sábado que continuou no domingo. Há imenso tempo que queria fazer carimbos e não passou desta ida à loja que não trouxe o material todo que precisava – a ideia estava lá e funcionou exactamente como queria.


Em breve mostro os carimbos finalizados.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Pinhole



Negative  /  Positive






I have been late on my posts here.

Last weekend I went with a friend to a pinhole workshop and it was amazing.

It is my wish to learn a lot about a lot of things, photography being one of them. Pinhole is the essence of photography to its simplest method – a black box with a little hole on it and a piece of light sensible paper. Now let me tell you just because the theory is very simple the process itself is not – you have to adjust the diameter of the hole with the size of your box, you have to calculate times of exposure in regards of the weather that specific day… it is an art let me tell you and like every type of art it can be learn but being “handy” at it always helps. I took full 8 hours to take and process 4 negatives and 2 positives.

 I learned a lot about things I can apply not only in pinholes but analogic and digital photography. I’ll try to do this again but the truth is light sensible paper is very expensive so first I need to really think about what I want to do.

My friend Diana took that photo of me with her pinhole made with a tin can.

Acho que tenho andado atrasada com os meus posts aqui.

O fim-de-semana passado fui com uma amiga a um workshop de pinhole e superou as minhas espectativas.
Como já se devem ter apercebido tem vindo a ser uma demanda pessoal aprender mais sobre uma série de coisas que me interesso e sobre as quais quero melhorar os meus conhecimentos – a fotografia é um destes casos. Essencialmente uma máquina fotográfica pinhole não passa de uma caixa pintada de preto e isolada à luz na qual se faz um pequeno buraquinho e onde se coloca papel fotossensível. Parece fácil certo? Na realidade é muito mais complicado que isto – o diâmetro do buraco deve ser ajustado às dimensões da pinhole, o tempo de exposição deve ser calculado consoante a meteorologia do dia (e mesmo durante o dia tem que se ir ajustado conforme a luminosidade que se faz sentir)… Todo o processo é mesmo uma arte que como todas as artes se pode aprender mas claro que ser um bocadinho habilidoso para a coisa não faz mal nenhum. Escusado será dizer que gastei 8 horas a tirar quatro fotografias e a processar 4 negativos e 2 positivos.

A verdade é que neste workshop aprendi uma série de conceitos que se podem aplicar não só às pinhole mas também às máquinas analógicas e digitais, o que me clarificou e muito todo o processo. Claro que o que aprendi é para ser novamente posto em prática contudo o papel fotossensível é MUITO caro e para o fazer tenho que planear muito bem o que quero fazer.

A minha amiga Diana tirou aquela foto de mim com a sua pinhole feita com uma lata redonda.