sexta-feira, 30 de maio de 2014

O gorro / The hat




Já sabem da minha pequena epopeia com a lã que viajou mais que as ovelhas daqui e daqui e agora dou por terminada uma pequena parte da lã, que já viu o seu produto final – um gorro. Este não é um gorro qualquer. Foi lavado, esgueirado, cardado, fiado, torcido e tricotado, tudo manualmente, tudo por mim. Este nunca o vou dar. Nas fotos falta o pompom que lhe meti na ponta.

You’ve already know about my little adventure with the wool that travelled more than the sheeps here and here and now I’ve finished processing a little part of the wool to its final product – a hat. And this is not like any other hat. It was washed, slipped, carded, spinned, twisted and knitted entirely manually by me. This one I will never give to anyone. In the photos the hat is missing the little pompon I’ve put in the top.





quarta-feira, 28 de maio de 2014

The Book of Wool






“From earliest times, wool has played a vital role in the life of man, not only as a means of clothing but also as a basic commodity on which the entire economies of empires were based. Although neglected in the more recent years, wool, and the skills needed to work it, are once again becoming important as more and more people are discovering the delight of producing something functional or decorative through their own efforts. Spinning wheels are no longer the rare occupant of the antique shop but instead may be found in many department stores and craft shops, and hand-spun garments are both exclusive and expensive. This book not only tells you how to spin, both on a spindle and on various types of wheels, but it also goes into the history of the whole subject and gives details of some of the fascinating sheep breeds which may be found. The differences between their fleeces and the use to which they are best suited are also explained. The skill of dyeing using lichens and other wild plants is also fully described and the rich colors which result are illustrated. But, perhaps most important of all, it brings out the joy of participating in a natural process. The final section of the book is devoted to a range of patterns to crochet or knit for all the members of the family. They cover a variety of simple and attractive garments which can be created out of the wool you yourself have produced and this brings the whole process to its natural conclusion. The Wool Book is not just an introduction to the art of spinning, but is a comprehensible account of the subject of the wool and its value and use today as a functional and fascinating hobby.”

In “The Book of Wool” by Margaret Dixon

Porquê explicar o quão interessante é este livro se ele já o faz por si mesmo?


Why explain how interesting this book is if it already does it for itself?


sexta-feira, 23 de maio de 2014



“Mas, dever-se-ão deixar morrer de todo instituições como esta, ou, pelo contrário, lutar pela sua sobrevivência de modo a evitar a aculturação que o progresso provoca na sociedade rural, de modo a prevenir o desastre que é como a individualidade própria, o embate com sociedades desenvolvidas de modo a procurar uma associação harmoniosa entre desenvolvimento e tradição, entre riqueza material e uma identidade cultural que, de região a região continua a propor soluções e modos de vida próximos da realidade humana (…).”


A última frase deste documentário.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

A lã que viaja mais que as ovelhas – parte 2





Foi a Mafalda que me convenceu a cardar a lã (o que fiz entretanto) e no final também torci o fio (Filipa obrigada pela dica)!

A meada final ficou assim: torci lã branca com a lã castanha (da qual só tenho lã de uma ovelha). Entretanto comecei a tricotar o gorro e está quase acabado. Esta primeira meada tinha aproximadamente 75 gr e como estou a fazer o gorro maior do que costumo fazer tive que fiar e torcer mais fio – já terminei uma segunda meada que está pronta a ser tricotada.

Ainda tenho uma cesta de verga cheia de lã e muito trabalho pela frente – uma pequena coisa que me está a chatear é a capacidade do fuso, que não me permite fiar tanta lã como queria. Ainda estou a ponderar fazer um fuso maior para torcer o fio ou investir um bocadinho mais e falar com um carpinteiro para me fazer uma roda. Tenho andado a ver modelos e ando a pensar seriamente na segunda opção.

***

It was Mafalda whom convinced me to card the wool (what I’ve made by the way) and in the end I’ve also twisted the yarn (thank you Filipa for the advices you gave me!)

The final skein: twisted white and brown wool (I only have wool from one brown sheep). In the meanwhile I’ve started knitting the hat which is almost finished. The first skein had approximately 75 gr and since I’m making it bigger than I use to I had to spin and twist more wool – I’ve finished my second skein and it’s ready to be knitted.


I still have a basket full of wool and much work ahead – a little thing that’s bothering me is the full capacity of the spindle which doesn’t allow me to spin as many wool as I would like. My options now are to make a bigger spindle to twist the wool or speak to a woodworker to make me a spinning wheel. I have been looking at some models and I’m seriously thinking about the second option.






terça-feira, 13 de maio de 2014

FIMI











O desfile do FIMI (festival internacional de máscaraibérica) foi sábado passado e nós, consumidores ávidos do folclore português e europeu, não podíamos faltar. Durante hora e meia fiquei completamente estasiada. Já aqui recorri muitas vezes a uma expressão que gosto muito, “Identidade Cultural”: pois bem, isto para mim mais do que uma tradição é uma riqueza cultural que nos distingue e nos torna únicos. E isto não se aplica só a Portugal, mas ao resto do mundo. O nosso folclore é o que nos distingue uns dos outros e é aquilo que vamos passando de geração em geração: somos nós, são as nossas raízes e sem conhecermos quem realmente somos nunca conseguimos chegar a lado nenhum.

A título mais pessoal, fiquei contente porque se este ano não consegui ir a Lazarim no Carnaval Lazarim veio até mim. Os Cardadores deVale de Ílhavo foram uma excelente surpresa, e lá irei um dia certamente. A dualidade dos “Mamuthones e Issohadores Pro Loco Mamolada” da Sardenha (umas das máscaras mais antigas do Mediterrâneo) deixaram-me sem palavras. A cor, os materiais e o diferente uso de texturas e simbolismo associado… faz mais sentido vivido do que contado.




The FIMI( internationalfestival of Iberian masks) parade was last Saturday and we, being avid consumers of Portuguese and European folk couldn’t miss it. For an hour and half I was completely amazed. I have said here many times one of my favorite expressions “Cultural Identity”: well, this for me is more than a tradition, it is a cultural richness which distinct us from the rest of the world and makes us unique. And this doesn’t only applies to Portugal but also to the rest of the world. Our folk is want makes us distinct and what we share from generation to generation: it’s us, it’s our roots and without knowing our roots we can never really get somewhere else.


In a more personal note, I was happy that this year although I could not go to Lazarim for the Carnival months later Lazarim came to me. The “Cardadores do Vale deÍlhavo” were an excellent surprise and I must go there someday. The duality of the “Mamuthones e Issohadores Pro Loco Mamolada” from Sardanha (one of the oldest masks in the Mediterranean region) left me speechless. The colors, the materials, the different use of textures and the associated symbolism… I guess it makes more sense lived than told.




segunda-feira, 12 de maio de 2014

“O linho é um sonho”/” Linen is a dream”



A semana passada fiz a minha lista de filmes a ir ver ao Panorama e este estava definitivamente no topo. O documentário “O linho é um sonho” realizado por Catarina Alves Costa retracta todas as etapas do ciclo do linho processado manualmente o que, acreditem, envolve muitas mais etapas do que imaginava.
Com o que tenho vindo a pesquisar cada vez mais chego à conclusão que não conseguimos dar o devido valor às coisas até percebermos realmente toda a carga laboral e cultural que está por detrás do produto final.

Amanhã há mais um a não perder: “A seda é um mistério”.

Em modo de nota pessoal, ficaram uma série de perguntas na minha cabeça em relação ao processo. Uma coisa de cada vez. Outra nota: achava eu "difícil" fiar lã. O linho deve ser bem pior.

Last week I made a list of the films I had to see in Panorama festival and this was definitely on top of the list. The documentary “Linen is a dream” directed by Catarina Alves Costa documents all the steps in the manual linen manufacture which, believe me, has more steps than I imagined.

Looking at all the things I have been searching I’ve come to the conclusion that we cannot give proper value to things unless we know how much labor and cultural worth there is behind them.
Tomorrow there is one more movie I will not miss: “Silk is a mystery”.

In a more personal note, I ended up with a series of questions in my head about the hole process. Oh well. Each thing in its due time. Another note: And to think I find spinning wool "hard". Linen must be much worse.



quarta-feira, 7 de maio de 2014

Moirais de Mértola: Paisagens Humanas do Baixo Guadiana







I have not finished this book and it is already one of my favorite ever;

This book documents the life of shepherds, weavers, and everything connected to the wool cycle in the region of Mértola. It has testimonies of different people and historic facts about the culture around sheep that I hadn’t the slightest idea.

Around the book there is a weaved band made in the Weaving Atelier I have talked here. Although this is a book that has nothing to do with the things that made me interested in wool in the first place (crochet and knitting) the cultural richness of it makes me proud for the people whom collected all of these stories and had the idea to construct such an amazing record that really made me grew more and more aware of wool and its value.

Another great thing about this book is that is written in three different languages: Portuguese, Spanish and yes, English so everyone can read it. One of the things that makes this one of my favorite books is the lines that talk about the transhumance. The hard conditions and the importance of the transhumance route in older days truly give you something to think.

To have this book you can contact the ADPM association or you can also buy it in the Mértola’s Weaving Atelier.

Ainda não terminei este livro e já sei que é um dos meus favoritos de sempre.

O livro documenta a vida de pastores, tecedeiras e todas as etapas relacionadas com o ciclo da lã na região de Mértola. Aqui também estão descritos testemunhos de diferentes pessoas ligadas a esta actividade e factos históricos sobre a cultura em torno dos ovinos dos quais não fazia a menor ideia.

Em volta do livro existe uma banda tecida na Oficina de Tecelagem que já falei aqui. Apesar deste livro não ter nada a ver com as coisas que me fizeram interessar pela lã em primeiro lugar (tricot e crochet) a riqueza cultural que em si contém faz-me sentir orgulhosa pelas pessoas que se deram ao trabalho de recolher todos estes testemunhos e tiveram a brilhante ideia de construir um livro documental tão completo e que já me tornou ainda mais consciente para o valor da lã.

Uma outra coisa fantástica sobre este livro é o facto de estar escrito três línguas: português, espanhol e sim, também está escrito em inglês o que o torna legível para muita gente. As páginas que relatam a Transumância e toda a sua importância são uma das coisas que fazem deste um dos meus livros favoritos; as condições difíceis e a importância da rota da Transumância em tempos passados dá muito que pensar.

Para adquirirem este livro podem contactar com a ADPM ou podem também adquiri-lo na Oficina de Tecelagem de Mértola.



terça-feira, 6 de maio de 2014

Cestos / Baskets






Ainda das aventuras de Coimbra, vieram estas peças em vime feitas em Miranda do Corvo (à mão!). As três rosetas vão ficar penduradas na parede e a cesta é para pôr as minhas lãs.

Quando começo a achar que muita coisa se está a perder vejo projectos assim e cá por dentro acabo por ficar feliz.

Still taking about my adventures in Coimbra, these handmade pieces were made in Miranda do Corvo. The three rosettes will hang on the wall and I’ll put my wool in the basket.


When I start thinking a lot has been lost over the years I see projects like this and inside I fell more happy.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Tesouras para tosquia / Scissors to shear



It was an odd discovery. The place was Coimbra, and it was night. The shop’s window was one of the strangest I have ever seen but that was what made us curious in the first place. In the back there was one of the most brilliant scissors I have ever seen and in the sign you could read “Scissor to shear sheeps and dogs (poodles)”. One could tell just by looking at it the scissor was handmade and curiosity led to another shop where one could buy these scissors. They cost 35€ and are really handmade. The man whom makes them is the only one producing them in Portugal, using a design passed throw generations.

The moment I arrived home I started searching for the man whom made this scissors and it wasn’t hard to find it:

The hands behind this amazing scissors belong to Mateus Filipe Miragaia whom lives in Donfins, in Guarda.  He has been working has a blacksmith for more than 50 years and nowadays he is more than 70 years old. In this article he says he used to make more than 1.500 scissors each year but due to the lack of clients in 2008 he was producing 200-300 scissors (I suspect now he is producing less). This article in portuguese is very complete and full of information about the man behind this scissors.

Foi uma das descobertas mais estranhas que fiz. O lugar era Coimbra e era de noite. A montra da loja era bastante estranha e foi isso que nos meteu curiosos e a ir espreitar. Ao fundo da montra estava uma das tesouras mais bonitas que alguma vez vi e mal vi no papelinho que era uma tesoura para tosquiar ovelhas fiquei entusiasmada com a coisa. Podia-se adivinhar só olhando para ela que esta tesoura era certamente feita à mão e a curiosidade levou-nos no dia seguinte até outra loja onde se podia efectivamente comprar estas tesouras – custam 35€ e sim, são inteiramente feitas à mão. O senhor que as trabalha é o único em Portugal, utilizando um design passado de geração em geração.

No momento em que cheguei a casa comecei logo a pesquisar sobre quem era esta pessoa e não foi muito difícil chegar lá.


As mãos por detrás desta ferramenta maravilhosa pertencem ao Mateus Filipe Miragaia que vive em Donfins, na Guarda. Este senhor trabalha como ferreiro a produzir estas tesouras à mais de 50 anos e actualmente tem mais de 70 anos. Neste artigo diz que antigamente fazia mais de 1.500 tesouras por ano contudo em 2008 produzia apenas 200-300 (e suponho que agora ainda produza menos). Este artigo está muito completo e cheio de informação sobre o homem por detrás destas tesouras. Mais aqui.





sexta-feira, 2 de maio de 2014

Mértola’s Weaving Atelier/ Oficina de Tecelagem de Mértola









Dona Helena works in the Mértola’s Weaving Atelier and there the traditional weaved blankets from Baixo Alentejo are made. This is the only place in the country where all the steps of the wool cycle are handmade from the time the wool is taken from the sheep to the weaved final product. They know the sheep (campaniça sheeps), they know whom sheared them, they wash their own wool, they use their own type of spinning wheel and they use the same type of loom people have used in this region for many years (all made in wood and reeds). The final result is a very soft product that will last for a very long time. The proof of that is this piece of shepherd garment called “alforjes” we see in the picture which has almost 100 years.

The Atelier is still working and open for visits and has an amazing collection of wool related devices from different steps in the wool cycle. They also weave with cotton and linen.

The cultural richness of this place is for me priceless – I’ve learned so much more here than I could’ve learned from books and it is always amazing to see things actually working and going against all odds – an amazing work, an amazing place.

A dona Helena trabalha na Oficina de Tecelagem de Mértola e lá são produzidas as mantas tradicionais do Baixo Alentejo. Este é o único sítio no país onde todos os passos do ciclo da lã são feitos inteiramente à mão desde a tosquia da ovelha até ao produto final tecido. Aqui conhecem-se as ovelhas de onde a lã vem (raça campaniça), conhece-se quem as tosquia, quem a lava, quem a limpa e quem a fia num tipo de roda de fiar que desconhecia e no final a lã é tecida num tipo de tear todo em madeira e cana profundamente ligado à cultura desta zona. O resultado final é um produto muito suave que irá durar durante muitos anos. A prova disto mesmo são estes alforjes que se vê na figura que têm quase 100 anos.

A oficina continua a produzir e está aberta para visitas contendo uma colecção fantástica de ferramentas e artefactos relacionados com a lã e com diferentes fases do seu ciclo produtivo. Aqui também se tece com algodão e linho.

A riqueza cultural deste espaço para mim não tem preço – Aprendi muito mais aqui do que aprenderia a ler livros ou a ver vídeos e é sempre fantástico ver as coisas efectivamente a funcionarem e a seguirem contra todas as espectativas – um ofício fantástico, um lugar maravilhoso.