segunda-feira, 30 de junho de 2014

Histórias do Alqueva / Histories from Alqueva






Esperar que as cegonhas atravessem a passadeira.

Molhar os pés na água e ficar surpreendida com a temperatura.

Perder os olhos na peneplanície.

Visitar finalmente a loja da fábrica alentejana de lanifícios e perder-me completamente com as amostras, e a riqueza cultural que ali está.

Encontrar por acaso um grande centro de olaria e correr uma série de aldeias e povoados fortemente afectados pela presença da barragem.

O que a barragem do Alqueva fez foi uma profunda mudança geográfica, criando condições para que o futuro de uma região se alterasse à custa daquilo que o homem fez. Ainda existem muitos por fazer mas a verdade é que a paisagem do Alqueva é impressionante para quem ali chega.


Waiting for the storks to cross the street.

Putting my feet in the warm water.

Loosing  myself in the peneplain.

Finally visiting the store of the Alentejo’s wool factory and getting totally lost in all the samples, and the cultural richness you can find here.

Finding by chance a big pottery center and go throw a number of small villages strongly affected by the presence of the dam.

What the Alqueva dam made was a profound geographical change, creating the conditions for the future of a region to alter itself because of something manmade. Still there is a lot to do but truth be told, the Alqueva landscape is breathtaking for those whom stop by.




sexta-feira, 27 de junho de 2014

Recortes de jornal / Newspaper’s scraps





Chegaram-me à mão por uma pessoa que não via há quase 10 anos. Os artigos são os dois do jornal do Nordeste e estão muito bem escritos. No artigo da lã fiquei a saber do projecto Lhana, que me impressionou imenso e que me deixou cheia de vontade de pegar no carro e ir para Miranda do Douro conhecê-lo melhor. Gostei especialmente de ler os testemunhos e de perceber que continua a existir uma preocupação em educar e alertar para a temática da lã.

Um excerto do artigo da lã pode ser lido aqui

O artigo da Seda fala duma oficina de tecelagem que está na minha lista a visitar e achei o artigo muito completo e realista – o trabalho da seda é moroso, tem muitas variantes que podem correr mal e isso não pode ser esquecido. Mas todo o processo é fantástico. E o resultado maravilhoso.

Um excerto do artigo da Seda pode ser lido aqui 

These newspaper’s scraps came to me throw a person whom I have not seen in almost 10 years. The articles are both from the Nordeste newspaper and are very well written. In the wool article I was very happy to know the project Lhana, which impressed me a lot and left me wanting to just take the car and go to Miranda do Douro to know it better. I specially liked to read the testimonies and to know that there is still a preoccupation and education in the wool theme.

A piece of this article can be read here

The silk article talks about a weaving workshop that is on my “to visit” list and I found the article very complete and realistic – the silk work takes a lot of time and has lots of variables that can go wrong and that cannot be forgotten. But the whole process is fascinating. And the result is amazing.

A piece of this article can be read here


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Resgate / Rescue





Esta cheia de pinhas lá dentro, a levar com uma goteira em cima na adega.

Tirei-a, lavei-a, esfreguei-a, o meu tio ainda a ajeitou e diz que a vai envernizar.

Custa-me ver as coisas a estragarem-se, especialmente quando sei o trabalho que ali está – aquele tipo de cestaria não pode ser feita por umas mãos inexperientes e nem eu sei os anos que tem em cima.

It was filled with pine cones and it was under a drip in the cellar.

I took it out, washed it, scrubbed it, my uncle mended it and said he would polish it.


I find it hard to see things being spoiled, especially when I know the work involved to make them – this type of basketry couldn’t be made by unexperienced hands and even I don’t know how old it is.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

As Alcofas / The baskets









Nos meus antiquários favoritos (leia-se, as arrecadações do quintal do Miguel) encontrei já duas alcofas. A primeira que vi estou a usar para guardar a lã que ainda me falta abrir. É muito prática, e desconfio que em breve ainda a uso para ir às compras

Esta última foi um achado recente. Estava um bocadinho em mau estado mas com uma boa limpeza ficou perfeita. Por enquanto uso-a para guardar o tricot, se bem que acho que vai ser a minha fiel companheira nos meses que se seguem.

Penso que [leia-se, tenho a certeza] que são mais velhas que eu e mesmo assim estão as duas impecáveis. Espero que, onde quer que ela esteja, a dona Maria não se chateie de eu andar a usar as coisas dela.

In my favorite “antique shop”, which means Miguel’s backyard, I’ve found already two baskets. The first one I saw I’m using to keep the wool I am treating. It is very practical and I believe I’ll use it quite often to go shopping.

The last one was a recent finding. It was not perfect by then but with a nice cleaning it stayed excellent. For now I’m using it to keep my knits but I believe it will be my faithful companion in the next summer months.

I think [read: I know] these two baskets/bags are older than me and yet they are impeccable. I hope, wherever she is, Mrs Maria won’t be upset that I am using her things.




quarta-feira, 18 de junho de 2014

WIP










A fazer um gorro para a Olivia.
Em breve vou terminá-lo e depois vou tingi-lo.
Vai ser a primeira vez que vou tingir. Existem alguma coisa que devia saber?

Making a hat for Olivia.
Going to finish it and dye it soon.
This will be my first attempt on dyeing things. Is there any important thing I should know?




domingo, 15 de junho de 2014

Quando veio o calor / When the heat came



Veio um bocadinho de repente, e eu já me tinha esquecido dele. Tinha-me esquecido do cheirinho das noites quentes. Dos dias passados mais devagar. Da comida feita praticamente sem ser cozinhada – fresca. Tinha-me esquecido completamente.


It came all of a sudden, and I had already forgotten it. I had forgotten the sweet smell of those warm nights. Of the days passed more slowly. Of the food made without cooking – fresh. I had totally forgotten.



segunda-feira, 9 de junho de 2014

Salva a Lã Portuguesa




Ainda meio atordoada.

O projecto Salva a Lã Portuguesa ficou em segundo lugar no concurso FAZ – ideias de origem portuguesa. Obrigado a todos aqueles que nos apoiaram e que criaram as condições para que tudo isto seja possível. Ainda, fica aqui os outros projectos concorrentes que pessoalmente me deixaram com o coração cheio.

Excelentes pessoas. Excelentes projectos. Foi um prazer passar a última semana na sua companhia.

Vilarinho das Furnas



Já aqui falei do António Campos e de quão a sua cinematografia me está a afectar e à maneira como vejo as coisas. O que eu não esperava era este impacto tão grande.

Na sexta-feira passada conheci um senhor que quando lhe falei no meu carinho pelo Alto Minho me disse que era de Vilarinho das Furnas. Estava num meio formal, e tive que me conter para não explodir. Falámos um pouco sobre o António Campos que chegou a conhecer, tento ele feito parte do filme. Não resisti a perguntar o que é que aconteceu depois da aldeia ter sido inundada. Não resisti a falar daquele comunitarismo tão característico e que ambos concordámos que efectivamente funcionava. Não resisti a perguntar algumas coisas que na minha cabeça não ficaram esclarecidas no filme.


No final falámos também de algumas romarias que desconhecia, da potencialidade do Alto Minho e fiquei com mais uns sítios para visitar. 


quarta-feira, 4 de junho de 2014

WIP





A fiar mais um bocadinho de lã para terminar o gorro da Olivia que lhe prometi. 
A começar novamente [pela 3ª vez] um modelo diferente com esta linha.

Já não sei o que é ter projectos pequenos.



Spinning some wool to finish the hat I’ve promised Olivia.
Starting [for the 3rd time] a new model using this fiber.

I don’t know anything about small projects nowadays.




segunda-feira, 2 de junho de 2014

Entre Leite de Vasconcelos e Orlando Ribeiro (e com um bocadinho de António Campos)






Já escrevi e rescrevi isto mais vezes do que gostava de admitir. Tenho tanta coisa que queria partilhar que tenho medo de me tornar aborrecida – a verdade é que desde que comecei a puxar este fio cada vez me surpreendo mais e ultimamente parece que não consigo pensar noutra coisa. Não sei como cheguei aqui, mas cheguei. E agora que cheguei não sei se consigo voltar atrás.

O Orlando Ribeiro veio naturalmente – no meio das prateleiras de casa do Miguel encontrámos o livro que eu tanto queria ler – opúsculos geográficos – o meio rural. Apontamentos muito importantes na minha opinião sobre as práticas pastorícias em Portugal e mais importante que isso, a razão para este tipo de práticas. Na realidade já tinha alguns conhecimentos sobre estas práticas mas o que eu queria mesmo saber era porquê é que eram feitas desta ou daquela maneira e o trabalho do Orlando Ribeiro tem-me ajudado bastante.

Depois de chegar à conclusão que muitas das questões que queria ver respondidas passavam por um estudo mais etnográfico rapidamente cheguei ao trabalho de Leite de Vasconcelos. Depois de pesquisar bastante sobre a sua obra apercebi-me dos  volumes que me interessavam mais e foi aí que cheguei ao ETNOGRAFIA PORTUGUESA- VOL VI (LIVRO III) – Vida Tradicional Portuguesa (individuo, a família, a sociedade). No outro dia na rua perguntaram-me se o estava a ler para fins académicos. “Não”, respondi. “Estou mesmo interessada nisto.” Olharam para mim com cara estranha. Apesar de à primeira parecer uma obra muito pesada [que é] estou fascinada pela riqueza cultural e pelo levantamento extensivo aqui descrito – estou feliz.


O trabalho de António Campos sei precisamente onde o vi pela primeira vez – no excelente documentário da Catarina Costa que passou no Panorama. Logo aí fiquei fascinada. Porque disto tudo que descrevi até agora, há gravuras e documentação escrita. Os documentários de António Campos em si demonstram muitas das coisas que ando a ler e a sua cinematografia documental é de longe das melhores que vi até hoje. Ainda há muita coisa que me falta ver da sua obra integral e que está na lista. Lá chegarei.