sexta-feira, 31 de outubro de 2014

The granny tote




Com o passar do tempo apercebi-me que não cheguei a pôr aqui a tote bag que fiz para o Verão.
Foi a segunda vez que trabalhei com pele para fazer as alças e realmente é muito prático e fácil de usar.

A mala em si aguentou chuva, sol, praia, montanha, festivais e continuará a aguentar muito mais - para mim é impressionante a qualidade destes tecidos, que sem forro nem nada conseguem ser tão resistentes tais como estão.

I’ve now realized I haven’t shown here the tote bag I’ve made last Summer.
It was the second time I’ve worked with leather to make the straps and it really is quite practical and easy to use.


The tote itself managed rain, sun, beach, mountain, festivals and it will manage many more – for me it is impressive the quality of these fabrics that without an inside cover can be so resistant just has they are. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Luvas poveiras/ Mittens Poveiras




Há algum tempo que namoro os padrões do traje poveiro.

Enquanto procurava ideias para estas luvas lembrei-me que podia tentar uma coisa nova e experimentar bordar por cima do tricot.

Entretanto encontrei este blog e esta reportagem. Vale a pena ver.

Para além disso, experimentei uma maneira de fechar as luvas que fazem lembrar o estilo nórdico, mais pontiagudo. Gostei.



I have been in love with the patterns from the poveiro costume for a while now.

While I was searching for ideas for these gloves I thought I could try something new and try to embroider over knitting.

Meanwhile I found this blog and this article. Both of them are worth seeing.


Other than that I’ve tried a new way to close the mittens that reminds me very much of the Nordic style, pointier. I liked it.




sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Da empreita / About braiding palm





Uma semana depois e com muito pouco tempo para dedicar a isto, o meu entrançar vai mais rápido. Ainda não me aventurei novamente a começar de novo e já tenho muitas ideias na cabeça de variantes e de coisas que quero experimentar fazer.

O problema? Achar as agulhas para coser a palma em Lisboa e a própria palma em si.
Tudo se há-de resolver.


A week later and with very few time to dedicate to this project, my braiding is going quicker. I didn’t adventured myself to start a new braid again but my head is filled with ideas and variants I want to try.

The problem? It is not easy to find the sewing needle for the palm here in Lisbon, neither the palm itself.

Well I guess everything will sort itself out.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Tingir/ Dye





Era um bichinho que me andava a roer atrás da orelha, este de tingir a lã com produtos naturais.
Mesmo com a ajuda da Filipa (obrigada!) não consegui fazer grandes aventuras e comecei por aquilo que tenho visto ser mais básico – cebolas e vinagre.

Portanto foi mais ou menos assim: fervi muitas cascas das cebolas que trouxemos do Minho em Agosto (sim, ainda temos e normalmente duram até ao Natal!) e deixei um bocadinho a arrefecer, para não feltrar. Adicionei o vinagre ao tacho e coloquei a lã. Ficou lá cerca de dez minutos e depois passei a mistura para um frasquinho de vidro e lá ficou durante meia hora.

Passado o tempo, lavei com água fria e sabão e a tinta não saiu!

Não é propriamente a cor que queria (o tom mais escuro da água das cebolas era lindo) mas também sei que tudo depende de tempos, quantidades de mordentes e tipos de mordentes que podem dar resultados diferentes. Para mim, o que interessa é que experimentei e que correu bem melhor que aquilo que esperava. Agora é continuar.

It was something I have wanted to do for a while, to dye wool with natural products.
Even with the help of Filipa (thank you so much!) I couldn’t adventure myself so I started with the basic – onions and vinegar.

The process was something like this: I’ve boiled some peels of onions in water that I’ve brought from Minho (yes, I still have onions from August and they often last until Christmas!) and I let it cool a bit so it doesn’t felt. I’ve added vinegar to the pan and I’ve put the wool inside. It stayed there for about 10 minutes and then I’ve past part of the mixture and the wool to a small glass for 30 minutes.

After a while I’ve washed it with cold water and soap and the coloring stayed!


It wasn’t exactly the color I wanted (the darker tone of the onion’s water was beautiful) but I know that it also depends on times, additive and types of additives that can provide different colors. For me, what really matters is that I’ve gave it a try and that it went better than I expected. Now I just need to keep on doing it. 


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O fuso da roda / The spindle of the spinning wheel





O Sr. António Mestre vive numa aldeia do concelho de Alcoutim e durante muito tempo tomou conta do museu etnográfico da aldeia. Com um vasto conhecimento em diferentes técnicas artesãs, agrícolas e não só do concelho o Sr. António escreveu um livro e é uma fonte de conhecimento enorme, com uma simpatia ainda maior.

Foram os meus pais que primeiro falaram com ele enquanto faziam a via algarviana e deram-me o contacto. Quando lhe disseram que me interessava pelas questões da lã e do processo manual o Sr. António deu-lhes este fuso, muito característico das rodas do Baixo Alentejo & Algarve que vi pela primeira vez aqui. Quando vi o fuso nem queria acreditar – parece que nos próximos tempos vou construir a minha roda, com base no modelo que mais me apaixona.

A viagem ao Algarve não serviu só para ir aprender a trabalhar a palma, mas também para conhecer pessoalmente o Sr. António que tanta paciência tem tido comigo. Há coisas que parecem caídas do céu.

Mr. António Mestre lives in a village in Alcoutim and for many years was charged of the ethnographic museum of his village. With a vast knowledge in different craftsmanships, agricultural and other traditional techniques of Alcoutim, Mr. António wrote a book about it and his huge knowledge can only be equaled by its sympathy.

My parents were the ones that first came to know him while they were doing the Algarviana route and gave me his contact. When they’ve told him I was very interested in wool and its manual process Mr. António gave them this spindle, very characteristic of the spinning wheels from Baixo Alentejo & Algarve that I’ve seen for the first time here. When I saw the spindle I couldn’t believe my eyes – it looks like I’m going to be busy in the next times building my own spinning wheel, based on a model that I’ve come to love so much.


The trip to Algarve not only served to know how to work with palm but also to personally know Mr.António that has been so patient with me. Sometimes there are some things that almost look like they fell from the sky.





segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Empreita






“Os entrançadados e entrelaçados de fibras vegetais, nascidos da necessidade a acondicionar, transportar e conservar bens alimentares, seguem, no território português, uma complexa tecnologia, existente há mais de 4000 anos, na utilização de matérias vegetais tão diversas como a cana, o vime, o salgueiro, a palma, o esparto, a oliveira, o junco, a palha, a folha de centeio, o piorno, o castanho, a acácia ou a silva (PERDIGÃO, 2001:149-193).

A empreita especialmente, por fazer uso da palmeira anã, planta autóctone, característica do Barrosal e Serra, é seguramente um dos elementos identificadores da cultura material algarvia.”

“Empreita e Cestaria – Entrançados de palma, verga e cana do Algarve”; Catarina Oliveira; TASA – Técnicas Ancestrais Soluções Actuai; CCDRAlgarve


O workshop foi em Loulé, dado pela dona Cremilde no âmbito do projecto TASA e do projecto Proactiv Tour (ambos valem mesmo a pena conhecer melhor).

A dona Cremilde viveu toda a vida numa aldeia do concelho de Loulé, e aos 45 anos decidiu mudar de vida e foi aprender a fazer a empreita, o que lhe deu a capacidade de seguir um trabalho criativo, onde cada peça tem uma origem única da sua imaginação.

O workshop era para ter acontecido no pátio da sua casa, mas com o mau tempo que esteve no fim-de-semana acabámos por aprender sobre a empreita no pólo museológico dos frutos secos.

Aprendemos uma série de técnicas das quais apenas consegui fazer “bem” a da empreita de 9 pontas. Para além da técnica, aprendemos a reconhecer a palma e a prepará-la para a empreita. Pequenas dicas e técnicas que fazem toda a diferença, e que me deixaram com vontade de nunca sair dali.

Perguntaram-me se estava a pensar fazer destas técnicas que vou aprendendo ofício. Suspirei e tive que dizer que por enquanto não – por enquanto é motores e aviões. Por enquanto.

Se querem saber mais sobre o projecto TASA /Proactiv tour vejam aqui

Se querem saber mais sobre a empreita e outras técnicas, ofícios e artesãos do Algarve recomendo vivamente este livro.


“ Born of the need to store, transport and preserve food items, in the Portuguese territory the weaving and braiding of natural fibers follows a complex technology that has existed for over 4000 years and uses plant materials as diverse as cane, reed, osier, palm, esparto, olive branches, rush, straw, rye leaf, broom, chestnut wood, acacia wood or bramble. (PERDIGÃO, 2001:149-193).

Empreita in particular, because it uses dwarf palm, an indigenous plant characteristic of the Barrocal and the Serra (mountain range), is without a doubt one of the identifying elements of the Algarve’s material culture.“

Empreita e Cestaria – Entrançados de palma, verga e cana do Algarve”; Catarina Oliveira; TASA – Técnicas Ancestrais Soluções Actuai; CCDRAlgarve


The workshop was in Loulé, our teacher was Mrs. Cremilde and the project behind this initiative was TASA and Proactive Tour (both of the projects are amazing and well worth knowing).

Mrs. Cremilde has lived all of her life in a village of Loulé, and when she was 45 years she decided she wanted to change her life and learned a new craftsmanship – braided weaved baskets. This gave her the opportunity to have a creative work in which every piece is original and came for her imagination.

The workshop was supposed to take place at the backyard of her house but the weather was rainy so we had to have in the Dry Fruits Museum.

We’ve learned a lot of techniques from which the only one I can properly do is the one which has 9 ends. Other than the actual technique, we’ve learned how to recognize the palm tree, how to catch palm, prepare it and use it in the empreita technique. We’ve learned little tips and things that make all the difference and made me want never to leave.

Someone asked me there if I was going to apply all my knowledge in all the techniques I’ve learned in the past years in a job in the matter. I sighed and had to say unfortunately not for now. For now my job involves engines and airplanes. For now.

If you want to know more about TASA and Proactive Tour see here and here


If you want to know more about this and other traditional techniques and crafters of Algarve I stroungly recommend this book (the book is in english and portuguese)





quinta-feira, 9 de outubro de 2014

WIP






É o que me tem ocupado a maior parte do tempo e suspeito que me ocupará durante muito mais. É lã da Serra da Estrela, veio daqui e está-me a dar um gozo enorme trabalhar com ela (é igual à que trabalhei o ano passado, mas mais grossa).


It’s been keeping most of my time and I suspect it will keep much more of it. It’s wool from Serra da Estrela, it came from here and it’s giving me great satisfaction to work with it (it is the same wool I’ve worked last year, but thicker).

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Cobertor




Depois de um fim-de-semana rodeada de churras e de cobertores de papa mal vi que este novo fio da retrosaria tinha saído na sexta-feira tive que lá ir – e posso dizer que fiquei mais do que surpreendida pela positiva.

O fio tem um toque áspero, mas de alguma forma acho-o mais agradável do que muitos fios que já toquei. Adoro a sua versatilidade e o facto de ser um fio mais grosso do que costumo usar.

É capaz de se ter tornado um dos meus fios favoritos não só pelo seu valor cultural mas também porque é verdadeiramente versátil e dá resultados incríveis.

Já tinha em mente o que queria fazer: [mais] um par de luvas que não era para ser para mim mas que agora me deixa com uma séria vontade de ficar com ele. Também experimentei fazer entrançado pela primeira vez e realmente com algumas dicas é mais fácil do que parece.

Estive para as cardar, mas fiz uma amostra e cardadas perdem o efeito da trança portanto optei por não o fazer (mas se trabalharem em meia e liga aconselho a fazer que o resultado é excelente).

After a weekend surrounded by "churra" sheeps and “papa” blankets I could help to go and buy this new wool from Retrosaria – and I can safely say I was pleasantly surprised.

The wool has a rough touch but somehow I find it more pleasant that many wools I’ve touched. I love the versatility and the fact that it’s thicker than the ones I’m used to use.

It may well be one of my favorite wools not only because of its cultural value but also because it is truly versatile and gives the most incredible results.

I already had in mind what I wanted to do with it: one [more] pair of mittens which were not supposed to be for me but now I’m starting to want them for myself. I’ve also experimented with knitting braids for the first time and with some tricks it can be really easy.


I was going to card them but in the end I’ve made a carded sample and the braid effect would vanish in the carded part so I’ve not made it to the mittens (but if you’re only working with knit and purl I strongly recommend it because the final result is really cool.