quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Lã reciclada / recycled wool






Não é propriamente um tema novo ou desconhecido. A verdade é que a reciclagem de lã durante o seu processo de fabrico é algo usual e que se utiliza muitas vezes para recuperar a lã, produzindo um produto de qualidade inferior mas apto para outras aplicações (por exemplo o reaproveitamento da lã para tapetes).

Foi no “curso de técnicas de lanifícios” que vi a primeira referência ao processo de reciclagem da lã. Na realidade mesmo já sobre a forma de fio, a lã pode ser reciclada.

Ao contrário do caso do algodão (onde facilmente se encontram novelos de algodão reciclado) para o caso da lã nunca tinha encontrado fio reciclado à venda. Até agora.

Este veio da ArtiModa, e eu gostei muito de trabalhar com ele. Certo que é áspero e que se nota que é um fio de mistura, mas não deixa de ser um fio grosso e resistente, fácil de trabalhar.

Enquanto trabalhava este fio, vieram-me muitas questões à cabeça, principalmente relacionadas com consumismo e sustentabilidade.

Vivemos numa sociedade excessivamente consumista (essa palavra grande, que todos gostamos muito de utilizar) e numa opinião muito pessoal não acredito que este seja um problema de fácil resolução e para o qual não existe apenas uma solução.
Uma destas possíveis soluções poderá inclusive por passar pela utilização destes “fios reciclados” na indústria têxtil. Pensando bem nisto, se esta é uma das indústrias que gera mais desperdícios porque não utilizar os desperdícios para criar novos produtos, fechando parcialmente o ciclo do produto? E não será esta uma alternativa economicamente mais fiável do que estar a produzir novas fibras? (estou mesmo a questionar porque não tenho informação suficiente para o afirmar)


Como disse, este fio em questão é bastante resistente e excelente para fazer roupa (p.e. camisolas, casacos, eu utilizei-o para outra coisa que falarei depois). Acredito que para esta questão do consumo excessivo não existe apenas uma solução. Mas talvez esta seja uma boa opção para contornar um problema cada vez mais emergente.

***

It is not exactly a new nor an unknown theme. The truth is that recycling wool during its processing is something quite usual and applied very often to regain the produced wool, making a final thread with less quality but still good for other applications (for instance the recovery of wool to produce rugs).

It was in the book “curso de técnicas de lanificios” were I first found a reference to the recycling of wool which can be recycled in all stages, including when it is already a thread.
Unlike cotton (I can easily find recycled cotton to buy) I have never seen recycled wool for sale. Until now.

This one came from ArtiModa and I really enjoyed working with it. It is certain the wool is not as soft and that is not 100% wool but still it is a thick thread quite resistant and easy to work with.

While I was knitting with it a lot of questions came to my mind mostly regarding consumption and sustainability.

We live in a society which consumes a lot (consumption, that very big word everyone likes to use) and in a very personal opinion I don’t think this is an easy thing to solve and with only one solution.
One plausible solution may involve the use of these recycled threads in the textile industry. When I think about it, this is one of the industries that generate morewaste then why can’t we use this waste to make new products, partially closing the cycle? And is this a reliable alternative (financially speaking)?



Like I’ve said before this thread is quite resistant and excellent to make clothes (for example blouses, jackets, etc, I’ve used it to make another thing I’ll speak about in a while). I believe that for the matter of excessive consumption there isn’t just one solution but maybe this might just be a very good option to minimize such an emergent problem.






quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Tecelagem de Almalaguês / Almalaguês weaving




“A tecelagem de Almalaguês caracteriza-se por uma grande variedade de possibilidades decorativas colhidas em fontes muito diversas. (…) Com efeito, na década de sessenta, do século passado, ainda houve lugar para esta inovação extraordinária que consistiu em fazer cópias, ou melhor, em fazer, ao tear, adaptações dos motivos característicos dos tapetes de Arraiolos (…) De facto, como o “bordado” que caracteriza uma componente importante da tecelagem de Almalaguês corresponde ao levantamento (borboto) do fio segundo uma quadrícula implícita à trama do tecido, em que os fios “verticais” da teia, se contrapõem os fios “horizontais” propiciados pela lançadeira torna-se fácil transpor para o trabalho do tear qualquer desenho assente numa quadrícula. (…) A liberdade com que as tecedeiras organizam a decoração dos seus trabalhos, a partir de um alargado conjunto de desenhos – sempre em expansão – formando associações variadas, cuja expressão nem sempre coincide, exactamente, com a dimensão disponível, leva à necessidade de “cortar”, “esticar” ou “fazer encontros” entre os diversos elementos originando situações sempre novas.


Pires, Ana; “Tecelagem de Almalaguês: a bela desconhecida”; in “Fios: formas e memórias dos bordados, rendas e tecidos”; IEFP; 2009; pág 68 – 79



Há imenso tempo que andava atrás de uma peça em tecelagem de Almalaguês e na última viagem a Coimbra achei uma loja que tinha exactamente o que pretendida. O pano em si não é muito grande e o ponto disseram-me que se chama ponto de arroz. Eu adoro-o.



I have been wanting to get my hands on a piece weaved using the Almalaguês technique for a while now and in my last trip to Coimbra I found a store that had exactly what I wanted. The fabric is not  a very big piece but it is exactly what I wanted and the lady whom sold it told me the stitches are called “rice stitches”. I adore it.







segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Se servir a carapuça / If the hat fits






É daquelas coisas que me esqueço de mostrar. A carapuça tem já um ano, já foi muito usada e continuará a ser. A carapuça foi uma espécie de adaptação entre o “beanie” e o barrete tentando preservar a sua dupla funcionalidade, tanto como chapéu como bolsa para quando é preciso. E esta carapuça até se consegue prender no cinto.

A carapuça foi fiada e tricotada por mim.


It is one of those things I keep forgetting to show. This hat (carapuça) has already a year and it is been used a lot. The carapuça is an adaptation between the beanie and the traditional fisherman hat (barrete) trying to keep its double functionality has a hat and has a purse for when needed. This carapuça can even be attached to the belt.


The “carapuça” was hand spun and knitted by me.



sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Nos últimos tempos / in the last days





Mesmo que este ano me tenha adiantado na minha “to do list” para o Natal e que tenha as coisas relativamente controladas [mais uma vez] acho que me excedi nas minhas capacidades.

Não é que não esteja a tirar um gozo enorme de fazer tudo o que me comprometi a fazer – porque estou – mas começo a ter aquele nervoso miudinho que não vou conseguir terminar tudo a tempo.



Even though I started on my to do list earlier this year for Christmas and I have things more or less controlled once again I think I have outdone myself.


It is not as if I am not enjoying making all these things – because I am loving it – but still I can’t help but felling a bit nervous I won’t be finishing everything on time.




quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Ao Centro / In the Center











Depois de um Outubro que nem o vi passar (mas que há de ficar marcado para sempre), Novembro tem estado a tratar-me bem e a levar-me até onde não pensava ir tão cedo.

O Outono está a acabar e eu não quero que ele se vá embora.



I don’t know where did October went – it just passed throw me in a flash (but I can assure you the events that happened will stay with me forever) but November is treating me well and taking me to places I couldn’t imagine I would go any time soon.

Autumn is ending and I don’t want it to go away.






quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A Sul / To South






O medronho está pronto a apanhar, também se apanham azeitonas e a paisagem está muito diferente daquilo a que me tenho habituado ao longo dos anos.

Se calhar é um mês estranho para voltar a sul, sempre a rondar a fronteira entre o Baixo Alentejo e o Algarve. Estou a tentar lembrar-me e acho que foi a primeira vez que lá estive em Novembro. Agora só para o ano.



The arbutus is ready to be caught the same way the olives are and the landscape is quite different from what I’ve been getting used over the years.


Maybe this is a weird month to go back south, travelling around the border between Baixo Alentejo and Algarve. I am trying to remember and I think I have never travelled south in November. I’ll only be back next year.



terça-feira, 24 de novembro de 2015

Gharb Al-Andalus





Para terminar o que começámos no Verão fomos até Silves, antiga capital do Gharb Al-Andalus.

Do Palácio das Varandas nada sobrou, ou pelo menos nada que se compare com o que pudemos observar na Andaluzia ainda assim foi interessante perceber um bocadinho mais sobre esta parte da nossa historia. Para quem tenha interesse, mais uma vez há um Visita Guiada que explica bem a importância de Silves sobre o domínio Islâmico e a sua riqueza.



To finish what we started last Summer we went to Silves, the old capital of Gharb Al-Andalus.

Very few things survived from the old Islamic palace, at least nothing like the things we saw in Andalucía but it was still very interesting to know a little bit more about this part of our history.
Once again, if you have any interest there is a very good tv show on streaming (only in Portuguese sorry!) explaining the importance of Silves and its richness during the Islamic period.




segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Torre da Roca / Tower of the distaff





“Torres de Roca

Trata-se da parte superior da roca que serve, no processo da fiação, para produzir o movimento de torção das fibras tornando-as resistentes e fazendo com que se apertem umas contra as outras. O conjunto deste sítio é numeroso – doze objectos que mostram afinidades formais e decorativas com outros encontrados tanto na cidade de Silves como noutros sítios coevos do Gharb al-Andalus”

Gonçalves, Maria José; Pereira, Vera; Pires, Alexandra “Ossos trabalhados de um arrabalde islâmico de Silves: aspectos funcionais”; XELB  8 Actas do 5º Encontro de Arqueologia do Algarve, pp. 187 a 214.




Não deixa de ser interessante que volta e meia encontre algo que nunca vi nem ouvi falar. Neste caso a torre de roca em osso, é uma peça em si fantástica.

Estas encontravam-se no museu arqueológico de Silves assim como uma série de outros objectos relacionados com a fiação e a tecelagem. A peça em si é de dimensões reduzida e tenho alguma dificuldade em perceber concretamente como funcionaria.



It is always interesting to find every now and then something I’ve never heard of. In this case it is tower of the distaff made in bone which is in itself an amazing piece.


You can find these ones in the archeologic museum of Silves as well as a series of other objects related to spinning and weaving. The piece itself is quite small and I’m having difficulties picturing the way it worked.




sexta-feira, 20 de novembro de 2015

The Fabric of Britain – Knitting’s Golden Age


Um dos melhores documentários que vi nos últimos tempos, e obviamente o melhor que vi com referências ao tricot.

Não é propriamente novo, e provavelmente já toda a gente o viu mas para mim foi uma agradável surpresa.



One of the best documentaries I’ve seen in a while and obviously the best I’ve seen regarding knitting.



It isn’t exactly new and probably everyone has seen it already however for me it was a pleasant surprise.





quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Fazer alpergatas / Making espadrilles




Há algum tempo tinha decido que não ia fazer mais workshops nem cursos durante uns tempos. Não porque não gostasse mas porque depois não consigo ter a disponibilidade que quero ter para praticar o que aprendi.

Entretanto apareceu o workshop de tecelagem e eu não consegui dizer que não e há uns bons tempos a Joana falou-me de um workshop de alpergatas e novamente não consegui deixar passar (até porque verdade seja dita há uns meses estava a ponderar ir a Madrid fazer um curso de alpergatas… como ia deixar passar um workshop mesmo aqui ao lado?)

Aprendi mais do que fazer alpergatas – descobri que a minha técnica com a máquina de costura é altamente rudimentar e que ainda tenho muito que aprender. Fora isso, o processo em si utilizando as bases já feitas é relativamente fácil e comecei já a pensar em alterações ao molde.

No final foi uma boa experiência e serviu-me de muito (até porque estou cheia de ideias para o ano que vem).



A while back I had decided I wouldn’t do any more workshops nor courses for a while. Not because I didn’t like to do them (which I love) but because I couldn’t find the time to practice what I had learned.

Meanwhile the weaving workshop appeared and I couldn’t say no to that and when Joana told me there was a espadrille workshop happening I couldn’t say no to that either (truth be told, some months ago I was thinking of going to Madrid to make a full course on espadrilles… how could I let this workshop so close pass by?)

There I learned more than just to make espadrilles – I found out my technique with the sewing machine is very poor and I still have a lot to learn. Other than that the process itself uses soles already done and it is quite easy to make (I’m already imagining some alterations to the pattern).


In the end it was a great experience and it helped me a lot (my head is filled with ideas for next year).





segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Miguel Bombarda (agora sim)



*sorry this post is only in portuguese but you can use the translate option on the right

Fiz o que me disseram.

Enviei o e-mail à ESTAMO e esperei por resposta.

E passado algum tempo responderam. Consegui marcar uma data e acabámos por ir mais do que fomos da primeira vez.

E adorei.

Desde a arte feita pelos pacientes, passado pela história de Valentim de Barros (um dos pacientes que esteve internado mais tempo, cerca de 40 anos). Toda a estrutura é efectivamente fascinante e é difícil não ficarmos “contagiados” pelo museu e por toda a estrutura do panótico.

Entre muitos objectos relacionados com o tratamento de doentes e do seu dia-a-dia encontrei dois teares, ambos utilizados para terapia dos pacientes. Aprendi muito, e posso dizer que já há algum tempo que não me entusiasmava assim tanto por um lugar em Lisboa.


Decidi não colocar aqui fotos porque acho que é daqueles sítios que vale mesmo a pena visitar por isso (e sem spoilers) peçam autorização e vão ver porque vale mesmo a pena.



segunda-feira, 26 de outubro de 2015

[Falta de] Cultura


Fonte da Imagem: "Miguel Bombarda O que fazer com este património?", por Mariana Dias a 01-/06/2013, in Público.



*sorry this post is only in Portuguese, if you want you can use the translate option on the right.




Se pesquisarem no Google sobre o hospital Miguel Bombarda vão dar rapidamente à pagina da agenda cultural de Lisboa onde se pode ler:


PAVILHÃO DE SEGURANÇA, ENFERMARIA-MUSEU CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE LISBOA/HOSPITAL MIGUEL BOMBARDA

O Museu, um dos poucos do país dedicados à assistência hospitalar, incorpora várias colecções, nomeadamente de pintura de doentes, equipamento clínico, mobiliário hospitalar e fotografia. Componente fundamental é o surpreendente Pavilhão de Segurança, recentemente restaurado, enfermaria-prisão construída em 1896 para os doentes provenientes da Penitenciária, de excepcional valor arquitectónico e histórico, classificado pelo IPPAR. É um dos raros edifícios circulares panópticos existentes no mundo e, por outro lado, exibe uma linguagem formal vanguardista de arredondamentos sistemáticos e racionalizantes, antecipando o design industrial dos anos 20 e 30 do século XX.

Saliente-se a colecção de Pintura de Doentes - Outsider Art, Art Brut ou Arte Crua - com 3000 exemplares, talvez a melhor e a mais antiga do país, e a única com acesso público.

Visitas Guiadas - incluem no seu percurso o Balneário D. Maria II (1854) e o ex-gabinete do director, onde o Prof. Miguel Bombarda foi assassinado nas vésperas da revolução de 1910.”

Fonte [LINK]


E se porventura tiverem interesse sobre estas coisas é certo que haverá um dia em que, no horário descrito em várias páginas, se vão deslocar ao dito museu e espaço de interesse público para o visitar.

Ao chegar, vão dar com uma porta fechada e com uma campainha. E se tocarem à campainha vão dar com um segurança que vos diz que é o espaço está fechado e que não se podem fazer visitas (ainda que diga em todo o lado que é visitável), só com autorização da ESTAMO.

Esta história muito se assemelha à do museu de arte popular onde o museu está aberto, pode-se comprar bilhete mas não é permitido entrar no museu. Ou como é o caso da manutenção militar onde um grupo muito competente de pessoas estão a lutar para que este espaço de interesse público permaneça aberto como tal.

Isto para mim é inacreditável – viver numa cidade onde os museus não se podem visitar. No tempo em que permaneci à porta do Miguel Bombarda (+- meia hora) apareceram cerca de 15 pessoas a querer visitar o espaço sendo a visita sempre negada. É fácil dizer que não existe interesse público quando as portas estão fechadas e a visita é recusada a quem a efectivamente tenta fazer.

A questão é: porquê abrir um museu se o intuito (infelizmente como em tantos outros casos) é de uma forma completamente descarada vender estes edifícios ou deixá-los em tal estado de degradação que a sua reabilitação se torna impossível ou dispendiosa?

Estes três exemplos são muito clássicos de espaços com enorme potencial e que cada vez mais revelam a falta de interesse que há em torná-los espaços dinâmicos com uma enorme rentabilidade (cobrar entradas por exemplo já podia ajudar a pagar o ordenado do segurança).

Não me costumo pronunciar muito sobre estas coisas, mas há casos e casos e este é um caso que choca. É inacreditável a falta de bom senso e a quantidade de entraves (sem razão aparente) que são sucessivamente colocados a espaços como estes que acabam por passar completamente ao lado da informação pública.

Um dos meus programas favoritos da RTP2 esteve no hospital Miguel Bombarda e vai passar hoje à noite a visita. À falta de melhor, porque mo foi negado, vou ver o programa.


Entretanto revolta-me saber que este caso como tantos outros estão a passar ao lado do que é o interesse público.

Ver ainda esta notícia, mais esta, este post e esta página.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

BORGOÑA y MOSTAZA





À falta de melhor utilizei o nome das lãs que utilizei para este casaco.

Primeiro, vamos às novidades, que na realidade é só uma: em vez de fazer o rebordo lateral directamente no casaco fiz à parte e depois cosi (estive a olhar melhor para um casaco que tenho e que gosto muito e cheguei à conclusão que estava assim feito por isso decidi experimentar).

Utilizei praticamente os quatro novelos que comprei e com as meias que fiz não me sobrou lã nenhuma.

É extremamente quente, mas isso já esperava quando toquei na lã pela primeira vez.

Inverno, podes vir. Mas não muito depressa porque ainda não consegui aproveitar bem o Outono.



Lacking of a better title I decided to use the name of the wool I used to make this jacket.

First the news (which in reality is only one): instead of making the side borders directly on the jacket I made it alone and then sew it to the jacket ( I was studying a jacket I own that I really like and saw it was like this so I decided to give it a try).

I used practically the whole 4 yarn balls I had bought and with the socks I made I definitely had no wool left.

It is extremely warm but I figured that out the first time I touch it.


Winter, you can come. Just don’t come to fast since I haven’t been able to enjoy Autumn as much as I want.



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A fazer meias para criança / Socking for children






Parece-me que o tricot está muito associado ao vestuário de criança – de facto muitas são as histórias que leio de pessoas que só pegaram no tricot quando nasceram os primeiros filhos.

Eu tenho 26 anos e não tenho filhos – gosto de tricot porque gosto e porque considero que nos dias que correm é essencial [leia-se também quase um luxo] saber fazer as minhas próprias roupas e conseguir vestir as pessoas que gosto. E basicamente é isto. Como tal não costumo fazer muitas coisas de criança.

Sobrou-me alguma do casaco que estava a fazer e custa-me ter restos de lã desperdiçados por isso vi mais ou menos a quantidade que tinha e reparei que servia perfeitamente para fazer um par de meias para a minha prima (que é criança, e que deve ser aquela que menos coisas tem feitas por mim...). A parte mais difícil foi acertar no tamanho (que afinal ficou perfeito) e há que admitir que há vantagens em fazer roupa de criança – mais pequena logo mais rápido de fazer e como tal também é mais fácil experimentar coisas novas e perceber o resultado.

A coisa que mais gostei claro foi de vê-la com as meias calçadas – ficam-lhe mesmo bem.




It seems to me that knitting is often associated with children clothes – in fact I keep reading people’s stories about how they only learn how to knit when their first children arrives.

I am 26 years old and I have no children – I like knitting because I just like to do it and because I consider it a need nowadays [maybe almost a luxury really] to know how to make your own clothes and to be able to dress the people I love. And it is basically this. For these reason I don’t knit for children often.

 I had some wool left from the jacket I was making and because I hate to have wool leftovers I realized it was about enough to make a pair of socks to my cousin (which is a child and it is probably the one person that has the least things made by me…). The hardest part was to find the right size (which turned out to be perfect) and I have to admit there are some advantages to make children clothes – things are little therefore it is quicker to make them and easier to experiment new things since you can quickly see the result.

The thing I loved the most was to see her with them on – and she looked so cute.






quarta-feira, 21 de outubro de 2015

EtelBert V1.0




Foi a Isa que primeiro me falou num workshop que ia haver na Lisbon Maker Faire onde se podia construir e aprender a usar um tear.

Antes disto acontecer sabia muito pouco sobre o FabLab – sabia alguma coisa sobre prototipagem rápida ou impressão 3D mas nunca pensei muito na sua aplicação prática.

Na página do projecto pode ler-se:

"Estamos a iniciar um trabalho colaborativo com a AARL (Associação de Artesãos da Região de Lisboa). Como principais objectivos está o de aproximar a comunidade “maker” da comunidade de artesãos possibilitando troca de conhecimentos e o reconhecimento por parte da comunidade “maker”  da importância e do valor ancestral dos saberes e das técnicas da produção manual, valorizando-se a produção humanizada num contexto emergente de produção e fabricação digital. Procuramos estabelecer a complementaridade entre os espaços onde se pode fazer quase tudo (Fablab’s) e pessoas que podem fazer quase tudo (artesãos). Como intervenientes no processo estão alguns artesãos da AARL e a equipa do Fablab Lisboa. Consideramos quatro temáticas com ponto de partida dos projectos: as técnicas, as ferramentas, os materiais e os produtos.

Texto por Alexandre Cardoso – Designer do FabLab Lisboa"


Para mim o que ficou foi uma experiência muito produtiva com pessoas fantásticas. O EtelBert tem a possibilidade de se tornar uma ferramenta muito interessante para a aprendizagem da tecelagem e o melhor de tudo é que foi desenvolvido para facilitar a aproximação de quem quer aprender com as ferramentas em si (neste caso um tear cujos planos vão ficar disponíveis e que pode ser facilmente “impresso” por qualquer entidade que tenha a capacidade de o fazer). Pode não ser o melhor tear do mundo mas para mim que estou a aprender foi sem dúvida uma experiência excelente poder montar o tear, aprender sobre o seu funcionamento e finalmente aprender a utilizá-lo. Julgo que quer seja para miúdos ou para adultos, este tear efectivamente funciona e é uma boa aposta.

Acho o projecto em si delicioso e muito bem pensado e estruturado e é com muita pena que ainda não consegui voltar a pôr a teia no EtelBert e começar uma peça maior e mais complexa (está na lista, mas este Outono tem-se revelado muito difícil de acompanhar…).


Pelo que me disseram vão haver mais workshops em breve por isso basta estar atento.


It was Isa whom first told me about this workshop at Lisbon Maker’s Faire were one could construct and learn how to use a loom.

Before that happened I knew very little about FabLab – I knew some things about rapid prototyping and 3D printing but I never cared much about its practical application.


For me it was a very productive experience with amazing people. The loom Etelbert has the ability to become a very interesting tool in learning how to weave and the best thing is that it was developed to ease the approach of whom wants to learn to the tools itself ( in this case a loom that will have its plans online and can easily be “printed” by anyone whom has the ability to do just so). Now it may not be the best loom in the world but for someone like me that is just starting to learn was without a doubt an excellent experience to be able to assemble the loom, understand how it works and then learn how to work with it. Either kids or adults will love to work with it and it is a very efficient loom to learning.

I think this project is simply amazing and well thought throw and I am very sorry I haven’t had the time to start weaving again since the first time I made it and produce something bigger and more complex (it is on the list but these past months have been just too hard to keep up with..)

From what I’ve been told there will be more workshops soon.





segunda-feira, 19 de outubro de 2015

. Socking .




Este ano estou obcecada com meias. Já acabei estas, tenho outras a meio e já estou a pensar em mais dois pares.

Gostei muito de trabalhar com a Elis, para mim tem a espessura ideal para fazer este tipo de meias [para se andar descalço em casa].

Estas só as entrego daqui por dois meses.


This year I am obsessed with socks. I’ve finished this ones, I have another pair on my needles and I’m already thinking about two more pairs.

I really liked to work with Elis, for me it has the right thickness to make these type of socks [to wear barefoot inside the house in the winter].


These ones will only be delivered two months from now.




quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Meia meia / Half a sock




Mais um par a caminho, desta vez com Elis.
Esta vão ser para oferecer.

Another pair on its way, this time with Elis.

These ones will be a gift.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Made in Spain – Made in Portugal




Não deixa de ser engraçado parar algum tempo para pensar emtodos os locais onde as nossas roupas são feitas. Hoje em dia isto parece um tema recorrente e isso agrada-me.

Neste caso particular (bastante diferente do que estava a falar) uma meia foi feita em Espanha. Foi feita dentro de um carro muito cheio e muito confuso naquelas alturas em que não era a minha vez de conduzir. Foi feita em todos aqueles sítios por onde ficamos naqueles momentos mesmo antes de adormecer morta de cansaço.

A outra tem uma história completamente diferente – fiz as primeiras malhas nos nossos primeiros quilómetros em Portugal e já estávamos no Minho quando percebi que não tinha comprado lã suficiente para as acabar. No final até que foi engraçado ter usado outra cor porque agora torna-se muito fácil diferenciá-las.

Este foi o primeiro par de meias que fiz para o Miguel e decidi experimentar alpaca – ainda estou hesitante com a alpaca, há coisas que gosto e há coisas que não gosto assim tanto. De qualquer forma foi engraçado usar um fio diferente e fazer um par de meias com tanto significado.




It is funny when you think about it – I mean the places where things are made. Nowadays this seems like a recurrent theme and it’s a great thing too.

In this particular case however one sock was made in Spain. It was made in a very very filled up and confusing car when I was not driving. It was made in several places we stayed when I was tired and about to go to sleep.

The other one, it was a completely different story – I first cast the stitches in our first kilometers in Portugal and we were already in Minho when I realized I didn’t had enough wool to finish it. It is a funny thing I used another color since now they are very easy to identify.


This is the first pair of socks I made for Miguel and I decided to work with alpaca – I have mixed felling on the whole alpaca thing, there are things I like but there are also other things I don’t like about alpaca wool. Anyway, it is also fun to try new things and make a pair of socks with such meaning.




quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Sobre uma loja de lãs em Granada / About a wool shop in Granada




Esta es una empresa muy antigua que ha ido pasando de generación en generación durante muchos años. En sus inicios, se dedicaba  a la hilatura de seda  y a la fabricación de tejidos de seda. Debido a que la producción de seda fue decayendo con el paso de los años, en 1790 decidimos pasarnos a la hilatura de la lana, teniendo fábrica de hilados y tejidos durante doscientos años. Debido nuevamente al decaimiento de la artesanía textil, nos vimos obligados a cerrar la fábrica de hilaturas en el año 1994.

La actual actividad de Hilados Luque se reorienta en 1995, desde entonces nos dedicamos a la venta y distribución de hilados de lana, algodón, yute, perle egipcio y otros tipos de fibras.


[LINK]


Foi no primeiro dia em Granada que passei à porta desta loja, mas só no penúltimo é que lá entrei – e ainda bem que entrei porque sem saber como acabei por ir parar numa daquelas que facilmente é das melhores lojas de fios onde já estive.

Para mim não há nada melhor do que perguntar que lãs são 100% lã pura e a resposta ser “são todas, menos essas aí que têm mistura (nem meia dúzia) ”. Portanto imaginem uma loja cheia do chão ao tecto de lã 100% natural que vem de ovelhas criadas neste país e que é igualmente por lá processada e lá vendida.

E a variedade – havia fios de todas as espessuras e inclusive fios como nunca tinha visto, com cerca de 1 cm de espessura bem como uma brutal variedade de cores.

Uma outra coisa que facilmente me cativou foi a história de toda esta família sempre ligada à indústria têxtil e com um vinco tão forte à própria história de Granada – ainda que a família já não produza fio continua inteiramente ligada a esta indústria.

Num mundo onde as aparências contam cada vez mais foi reconfortante entrar numa loja simples e honesta onde a qualidade e a diversidade são o que mais importa.

Se por lá passarem vale a pena visitar. E provavelmente pode acontecer-vos o mesmo que me aconteceu a mim, que foi difícil sair de lá só com uma meada (as meadas têm cerca de 500 gr).



I saw this store on my first day in Granada but only got in on the last days – and it was a good thing I got in since this is by far one of the best wool stores I’ve ever been.

For me there is little better than asking which wool is 100 % pure wool and get the answer that they are all 100% pure wool except maybe half a dozen of types of skeins. So imagine a store filled from top to bottom of 100% pure wool that came from the sheeps of that country being processed and sold there.

And the variety – there was wool with so many different thicknesses (even some that were 1 cm thick) and a huge variety of colors.

Another thing that really captivates me was the whole history of this family always connected to the textile industry with such a strong relation with the history of Granada itself – and even though the family does not produce fiber anymore they are still related to this industry.

In a world were appearances count so much it is reassuring to just get into a store simple and honest were quality and diversity are what matters.


If you happen to pass there it really is worth the visit. And most likely it will be hard to leave with just one skein (the skeins have 500 grs) like it happened to me.






terça-feira, 29 de setembro de 2015

Museu da chapelaria / Millinery Museum











Em São João da Madeira, onde ainda hoje existe uma forte componente industrial no fabrico de chapéus, ficava uma das maiores fábricas que está actualmente convertida em museu.

Para além de ser uma excelente mostra de património arqueológico industrial o que mais me fascinou foi todo o processo de feltragem e enformação da fibra (lã, pêlo de coelho e até pêlo de castor) sobre o qual conhecia muito pouco ou nada (a maioria dos museus que visitei de industria têxtil debruçam-se mais sobre a transformação da lã para o fabrico de fio). Tanto a colecção em si como o espaço estão bem organizados e todo o processo é percetível, o que para mim é das coisas mais importantes. Há ainda uma exposição temporária.

Em nota de rodapé, fica a sugestão de fazer os circuitos do turismo industrial. Ainda não tive oportunidade de fazer, mas acreditem que está na lista.


In São João da Madeira, where there is still today a strong influence of the hat making industry, there was one of the biggest factories which was converted into a museum.

Other than the huge significant it has for the industrial archeological heritage what truly fascinated me here was the whole felting process (wool, rabbit hair and beaver hair) that I didn’t knew a lot about (in all the textile museums I’ve been the biggest part of the exhibition was mainly dedicated to the thread production). The collection itself and the space are well organized and above all the whole process is quite easy to understand, which for me is very important. There is also a temporary exhibition.

In a footnote I’ll suggest you’ll do the routes of industrial tourism. I haven’t had the chance to make them but thrust me, is on the list.