sexta-feira, 31 de julho de 2015

Sobre o sapateiro / About the shoemaker





Nunca o disse aqui, mas o meu bisavô foi sapateiro e por isso mesmo a profissão fascina-me.

O padrinho da minha mãe, também é sapateiro. E há umas semanas, depois de uma longa conversa ao telefone, chegaram-me às mãos umas sandálias pequeninas “para eu ver como se faz”. Chegaram também pedacinhos de couro e outras coisas que para mim valem tudo.

Nas fotos, umas sandálias que já foram da minha irmã e agora são minhas [com mais de 10 anos], feitas pelo mestre Ameixinha. As minhas, essas usei-as até à exaustão. A partir do minuto 28, duas entrevistas muito boas ao mestre Ameixinha se quiserem ficara a saber um bocadinho mais sobre quem ele é e o que faz (na reportagem de 2001 aparecem umas sandálias muito parecidas com as que eu tive).

Como me disse um outro sapateiro há muito pouco tempo, estas coisas não se aprendem com livros, aprendem-se a ver fazer e a reproduzir. E eu desta ainda não desisti de aprender.



I have never said this here but my great grandfather was a shoemaker and somehow I think this is why this craft fascinates me.

My mother’s godfather is also a shoemaker. And some weeks ago after a long conversation in the cellphone I got some small sandals “for me to understand how they were made” and also some pieces of leather and some other things that are worth everything.

In the photos, the sandals made by him (mestre Ameixinha) that were once my sister’s but now are mine [they have more than 10 years]. From minute 28 of this video,two interviews to him that are actually quite good if you want to know somemore about his work (in the interview of 2001 you can see some sandals very similar to the ones I got).

Like another shoemaker once told me not so long ago, these things can’t be learned in books, one can learn them by watching and reproducing the work. And this craft I haven’t quite given up on learning.


Also, another great video to watch.



quinta-feira, 30 de julho de 2015

FIOS & Idades Entrelaçadas








Dois livros que andava a namorar há muito tempo e que consegui achar na FIA deste ano.
O primeiro, FIOS, tem vindo a ser uma referência constante numa grande quantidade de artigos que leio, por isso não é de estranhar que tenha ficado com ele na ideia. O segundo, Idades Entrelaçadas parece-me o livro mais completo que vi sobre cestaria em Portugal.
Ainda que funcionem como catálogos de exposição estão extremamente completos. Para ir lendo devagar nas (poucas) horas vagas.
Ainda na mesma linha, estes os dois também merecem atenção.


Two books I have been wanting to have for a while and finally could find in these year’s FIA.
The first one, FIOS, is a constant reference in a large quantity of papers I have been reading so it comes has no surprise that I wanted it. The second one, “Idades Entrelaçadas” seems to me the most complete book I’ve seen about basket making in Portugal.
Although they work has catalogue of the exhibition they are extremely complete. To be read very slowly in my (few) spare time.

In the same line, these two books also deserve some attention.





terça-feira, 28 de julho de 2015

Tecelagem em Odemira / Weaving in Odemira






Passando por Odemira encontrei o atelier da Helena Loermans.

Apesar deste não ser o meu tipo de tecelagem favorito não deixei de parecer uma criança a espreitar a montra (o atelier estava fechado). Fiquei curiosa com alguns teares que lá vi e ainda assim valeu a pena. A voltar. Por Odemira, ainda se aconselha a chocolataria.

Passing throw Odemira I found the weaving atelier of Helena Loermans.


Although this is not my favorite type of weaving I couldn’t help looking inside (it was closed). I was very curious with some looms I found there and despite being close it was worth the visit. Certainly, I will go back. In Odemira, don’t miss the chocolate shop.




domingo, 26 de julho de 2015

216 Horas / Hours




Todas bem contadas, todas bem aproveitadas.

Às vezes apetece partilhar tudo, outras não.

Tenho muitos posts em atraso, muita coisa para contar. Mas a vida mete-se pelo meio e vai-se ficando sem tempo.

Isto é a minha maneira de dizer que o blog não está esquecido, e que vou começar a pô-lo em dia.


All quite well counted, all very well enjoyed.

Sometimes I found the need to share everything, others I don’t.

I have many many posts behind with a lot to tell but often life gets in the way and I find myself running out of time.


This is my way of saying the blog is not forgotten, and I’ll start to put it back on its feet.



sexta-feira, 10 de julho de 2015

Artes y Oficios






Não sei como descobri este livro na feira, porque sendo sincera foi uma verdadeira agulha no palheiro.

Primeiro, devo dizer que adorei esta editora, que se especializa a fazer re-edições de livros já bastante antigos (mas muito interessantes), sem fazer qualquer alteração ao conteúdo e em formato livro de bolso muito agradável para transportar (uma boa ideia para os senhores da Bertrand se basearem). Lendo todos os títulos disponíveis, existem logo uns quantos que saltam à vista.

Este por exemplo, foi um verdadeiro achado. Tem uma narrativa muito simples porque de uma forma muito geral trata-se de uma narrativa entre um pai que leva os filhos a conhecerem uma série de ofícios e por isso mesmo a explicação de cada técnica é muito simples e de fácil compreensão (o que para mim é excelente visto que o livro está em espanhol).

Estou a guardá-lo para ler nas férias mas isso não impede que já tenha dado uma boa vista de olhos na parte têxtil, de sapateiro e cordoaria. Mas o melhor está numa das últimas páginas, onde se ensina de uma forma muito muito simples a fazer uma roda de fiar. Sim, é verdade. Entre outras coisas que suspeito me venham a dar muito jeito o livro ensina a fazer uma roda de fiar.

Como disse ainda tenho uma série de títulos que quero mas por enquanto ainda tenho este para ler. O livro é do início do século passado.



I don’t know how I managed to find this book in the book fair because quite frankly it was a needle in a haystack.

Firstly I have to say I loved this publisher whom specializes in re-editions of quite old books (which are also very interesting) without making any alteration to them. Also the books came in a pocket format which for me is the best (this is a good idea for those Bertrand gentleman whomshould also work on some re-publishings). Reading all the titles available there is right away some that pop into my eye.

This for example is a real catch. It has an easy narrative and in a very general way talks about a father whom is showing traditional crafts to his children so this is very easy to understand and also easily explained (which is great since the book is in Spanish).

I am keeping it to read on my holidays but this didn’t stopped to make a little look inside to the textile, shoe making and cord making parts. And the best is in the last pages where it is explained how to make a spinning wheel. Yes, this is true. Amongst other things that I suspect will be very handy the book explains how to make a spinning wheel.

Like I said there is a lot of books from the same collection I would love to have but for now I still have to read this one. The book is from the beginning of last century.






quarta-feira, 8 de julho de 2015

Desfazer / Undo







Foi de longe a sequência de tricot mais complicada que já fiz. A nível de padrão (inventado conforme se ia fazendo) estava perfeita e era exactamente isto que queria mas mais uma vez o plano desta vez é fazer uma coisa diferente e a largura era de longe a indicada. Ainda tentei ver se “aldrabava” o que tinha em mente mas a verdade é que não consigo fazê-lo – gosto demasiado deste fio e deu-me demasiado trabalho para não ficar simplesmente perfeito.

Consegui fazer todos os padrões sem nunca cortar os fios (o que ajudou bastante a desmanchar e que para mim é uma espécie de vitória pessoal) e tinha a elasticidade ideal.

Foi uma pena desmanchar mas daí ter-lhe tirado montes de fotografias.

Vamos lá ver.


It was by far the best and most complicated knitting sequence I have ever made. Regarding the pattern (invented by me) it was perfect and exactly what I wanted but given the idea I had in my mind the length of this part wasn’t big enough. I even try to make some adjustments but still I don’t want to ruin this perfect piece I have in my mind: I love this yarn a lot and it has given me a lot of work to not be just perfect.

I was able to make all the patterns without cutting the yarn (which helped a lot while dissemble it and it is actually a personal victory) and it had a lot of elasticity.

It was a pity really that’s why I took a lot of photos.

We’ll see.






domingo, 5 de julho de 2015

A vida secreta dos tremoços / the secret life of lupin beans






Parece impossível que há uns meses vi-os verdinhos e agora já estão apanhados e secos (com uma valente ajuda desta família maravilhosa que eu tenho).

Estive a escolhê-los e a maior parte está impecável. Agora verdade seja dita vem a parte mais difícil que é tratá-los.

Tremoços algarvios, plantados em pleno Ribatejo, tratados em zona saloia. Do melhor.



It seems impossible that only some months ago I saw them so green and now they are already caught and dried (with a huge help from my wonderful family).

I have been sorting them out and most of them are just perfect. Truth be told now comes the hard part which is to take care of them and make them “eatable”.

These lupin beans came from Algarve, grew in Ribatejo and now are taken care in the “Saloia” zone. It’s just the best.