segunda-feira, 26 de outubro de 2015

[Falta de] Cultura


Fonte da Imagem: "Miguel Bombarda O que fazer com este património?", por Mariana Dias a 01-/06/2013, in Público.



*sorry this post is only in Portuguese, if you want you can use the translate option on the right.




Se pesquisarem no Google sobre o hospital Miguel Bombarda vão dar rapidamente à pagina da agenda cultural de Lisboa onde se pode ler:


PAVILHÃO DE SEGURANÇA, ENFERMARIA-MUSEU CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE LISBOA/HOSPITAL MIGUEL BOMBARDA

O Museu, um dos poucos do país dedicados à assistência hospitalar, incorpora várias colecções, nomeadamente de pintura de doentes, equipamento clínico, mobiliário hospitalar e fotografia. Componente fundamental é o surpreendente Pavilhão de Segurança, recentemente restaurado, enfermaria-prisão construída em 1896 para os doentes provenientes da Penitenciária, de excepcional valor arquitectónico e histórico, classificado pelo IPPAR. É um dos raros edifícios circulares panópticos existentes no mundo e, por outro lado, exibe uma linguagem formal vanguardista de arredondamentos sistemáticos e racionalizantes, antecipando o design industrial dos anos 20 e 30 do século XX.

Saliente-se a colecção de Pintura de Doentes - Outsider Art, Art Brut ou Arte Crua - com 3000 exemplares, talvez a melhor e a mais antiga do país, e a única com acesso público.

Visitas Guiadas - incluem no seu percurso o Balneário D. Maria II (1854) e o ex-gabinete do director, onde o Prof. Miguel Bombarda foi assassinado nas vésperas da revolução de 1910.”

Fonte [LINK]


E se porventura tiverem interesse sobre estas coisas é certo que haverá um dia em que, no horário descrito em várias páginas, se vão deslocar ao dito museu e espaço de interesse público para o visitar.

Ao chegar, vão dar com uma porta fechada e com uma campainha. E se tocarem à campainha vão dar com um segurança que vos diz que é o espaço está fechado e que não se podem fazer visitas (ainda que diga em todo o lado que é visitável), só com autorização da ESTAMO.

Esta história muito se assemelha à do museu de arte popular onde o museu está aberto, pode-se comprar bilhete mas não é permitido entrar no museu. Ou como é o caso da manutenção militar onde um grupo muito competente de pessoas estão a lutar para que este espaço de interesse público permaneça aberto como tal.

Isto para mim é inacreditável – viver numa cidade onde os museus não se podem visitar. No tempo em que permaneci à porta do Miguel Bombarda (+- meia hora) apareceram cerca de 15 pessoas a querer visitar o espaço sendo a visita sempre negada. É fácil dizer que não existe interesse público quando as portas estão fechadas e a visita é recusada a quem a efectivamente tenta fazer.

A questão é: porquê abrir um museu se o intuito (infelizmente como em tantos outros casos) é de uma forma completamente descarada vender estes edifícios ou deixá-los em tal estado de degradação que a sua reabilitação se torna impossível ou dispendiosa?

Estes três exemplos são muito clássicos de espaços com enorme potencial e que cada vez mais revelam a falta de interesse que há em torná-los espaços dinâmicos com uma enorme rentabilidade (cobrar entradas por exemplo já podia ajudar a pagar o ordenado do segurança).

Não me costumo pronunciar muito sobre estas coisas, mas há casos e casos e este é um caso que choca. É inacreditável a falta de bom senso e a quantidade de entraves (sem razão aparente) que são sucessivamente colocados a espaços como estes que acabam por passar completamente ao lado da informação pública.

Um dos meus programas favoritos da RTP2 esteve no hospital Miguel Bombarda e vai passar hoje à noite a visita. À falta de melhor, porque mo foi negado, vou ver o programa.


Entretanto revolta-me saber que este caso como tantos outros estão a passar ao lado do que é o interesse público.

Ver ainda esta notícia, mais esta, este post e esta página.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

BORGOÑA y MOSTAZA





À falta de melhor utilizei o nome das lãs que utilizei para este casaco.

Primeiro, vamos às novidades, que na realidade é só uma: em vez de fazer o rebordo lateral directamente no casaco fiz à parte e depois cosi (estive a olhar melhor para um casaco que tenho e que gosto muito e cheguei à conclusão que estava assim feito por isso decidi experimentar).

Utilizei praticamente os quatro novelos que comprei e com as meias que fiz não me sobrou lã nenhuma.

É extremamente quente, mas isso já esperava quando toquei na lã pela primeira vez.

Inverno, podes vir. Mas não muito depressa porque ainda não consegui aproveitar bem o Outono.



Lacking of a better title I decided to use the name of the wool I used to make this jacket.

First the news (which in reality is only one): instead of making the side borders directly on the jacket I made it alone and then sew it to the jacket ( I was studying a jacket I own that I really like and saw it was like this so I decided to give it a try).

I used practically the whole 4 yarn balls I had bought and with the socks I made I definitely had no wool left.

It is extremely warm but I figured that out the first time I touch it.


Winter, you can come. Just don’t come to fast since I haven’t been able to enjoy Autumn as much as I want.



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A fazer meias para criança / Socking for children






Parece-me que o tricot está muito associado ao vestuário de criança – de facto muitas são as histórias que leio de pessoas que só pegaram no tricot quando nasceram os primeiros filhos.

Eu tenho 26 anos e não tenho filhos – gosto de tricot porque gosto e porque considero que nos dias que correm é essencial [leia-se também quase um luxo] saber fazer as minhas próprias roupas e conseguir vestir as pessoas que gosto. E basicamente é isto. Como tal não costumo fazer muitas coisas de criança.

Sobrou-me alguma do casaco que estava a fazer e custa-me ter restos de lã desperdiçados por isso vi mais ou menos a quantidade que tinha e reparei que servia perfeitamente para fazer um par de meias para a minha prima (que é criança, e que deve ser aquela que menos coisas tem feitas por mim...). A parte mais difícil foi acertar no tamanho (que afinal ficou perfeito) e há que admitir que há vantagens em fazer roupa de criança – mais pequena logo mais rápido de fazer e como tal também é mais fácil experimentar coisas novas e perceber o resultado.

A coisa que mais gostei claro foi de vê-la com as meias calçadas – ficam-lhe mesmo bem.




It seems to me that knitting is often associated with children clothes – in fact I keep reading people’s stories about how they only learn how to knit when their first children arrives.

I am 26 years old and I have no children – I like knitting because I just like to do it and because I consider it a need nowadays [maybe almost a luxury really] to know how to make your own clothes and to be able to dress the people I love. And it is basically this. For these reason I don’t knit for children often.

 I had some wool left from the jacket I was making and because I hate to have wool leftovers I realized it was about enough to make a pair of socks to my cousin (which is a child and it is probably the one person that has the least things made by me…). The hardest part was to find the right size (which turned out to be perfect) and I have to admit there are some advantages to make children clothes – things are little therefore it is quicker to make them and easier to experiment new things since you can quickly see the result.

The thing I loved the most was to see her with them on – and she looked so cute.






quarta-feira, 21 de outubro de 2015

EtelBert V1.0




Foi a Isa que primeiro me falou num workshop que ia haver na Lisbon Maker Faire onde se podia construir e aprender a usar um tear.

Antes disto acontecer sabia muito pouco sobre o FabLab – sabia alguma coisa sobre prototipagem rápida ou impressão 3D mas nunca pensei muito na sua aplicação prática.

Na página do projecto pode ler-se:

"Estamos a iniciar um trabalho colaborativo com a AARL (Associação de Artesãos da Região de Lisboa). Como principais objectivos está o de aproximar a comunidade “maker” da comunidade de artesãos possibilitando troca de conhecimentos e o reconhecimento por parte da comunidade “maker”  da importância e do valor ancestral dos saberes e das técnicas da produção manual, valorizando-se a produção humanizada num contexto emergente de produção e fabricação digital. Procuramos estabelecer a complementaridade entre os espaços onde se pode fazer quase tudo (Fablab’s) e pessoas que podem fazer quase tudo (artesãos). Como intervenientes no processo estão alguns artesãos da AARL e a equipa do Fablab Lisboa. Consideramos quatro temáticas com ponto de partida dos projectos: as técnicas, as ferramentas, os materiais e os produtos.

Texto por Alexandre Cardoso – Designer do FabLab Lisboa"


Para mim o que ficou foi uma experiência muito produtiva com pessoas fantásticas. O EtelBert tem a possibilidade de se tornar uma ferramenta muito interessante para a aprendizagem da tecelagem e o melhor de tudo é que foi desenvolvido para facilitar a aproximação de quem quer aprender com as ferramentas em si (neste caso um tear cujos planos vão ficar disponíveis e que pode ser facilmente “impresso” por qualquer entidade que tenha a capacidade de o fazer). Pode não ser o melhor tear do mundo mas para mim que estou a aprender foi sem dúvida uma experiência excelente poder montar o tear, aprender sobre o seu funcionamento e finalmente aprender a utilizá-lo. Julgo que quer seja para miúdos ou para adultos, este tear efectivamente funciona e é uma boa aposta.

Acho o projecto em si delicioso e muito bem pensado e estruturado e é com muita pena que ainda não consegui voltar a pôr a teia no EtelBert e começar uma peça maior e mais complexa (está na lista, mas este Outono tem-se revelado muito difícil de acompanhar…).


Pelo que me disseram vão haver mais workshops em breve por isso basta estar atento.


It was Isa whom first told me about this workshop at Lisbon Maker’s Faire were one could construct and learn how to use a loom.

Before that happened I knew very little about FabLab – I knew some things about rapid prototyping and 3D printing but I never cared much about its practical application.


For me it was a very productive experience with amazing people. The loom Etelbert has the ability to become a very interesting tool in learning how to weave and the best thing is that it was developed to ease the approach of whom wants to learn to the tools itself ( in this case a loom that will have its plans online and can easily be “printed” by anyone whom has the ability to do just so). Now it may not be the best loom in the world but for someone like me that is just starting to learn was without a doubt an excellent experience to be able to assemble the loom, understand how it works and then learn how to work with it. Either kids or adults will love to work with it and it is a very efficient loom to learning.

I think this project is simply amazing and well thought throw and I am very sorry I haven’t had the time to start weaving again since the first time I made it and produce something bigger and more complex (it is on the list but these past months have been just too hard to keep up with..)

From what I’ve been told there will be more workshops soon.





segunda-feira, 19 de outubro de 2015

. Socking .




Este ano estou obcecada com meias. Já acabei estas, tenho outras a meio e já estou a pensar em mais dois pares.

Gostei muito de trabalhar com a Elis, para mim tem a espessura ideal para fazer este tipo de meias [para se andar descalço em casa].

Estas só as entrego daqui por dois meses.


This year I am obsessed with socks. I’ve finished this ones, I have another pair on my needles and I’m already thinking about two more pairs.

I really liked to work with Elis, for me it has the right thickness to make these type of socks [to wear barefoot inside the house in the winter].


These ones will only be delivered two months from now.




quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Meia meia / Half a sock




Mais um par a caminho, desta vez com Elis.
Esta vão ser para oferecer.

Another pair on its way, this time with Elis.

These ones will be a gift.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Made in Spain – Made in Portugal




Não deixa de ser engraçado parar algum tempo para pensar emtodos os locais onde as nossas roupas são feitas. Hoje em dia isto parece um tema recorrente e isso agrada-me.

Neste caso particular (bastante diferente do que estava a falar) uma meia foi feita em Espanha. Foi feita dentro de um carro muito cheio e muito confuso naquelas alturas em que não era a minha vez de conduzir. Foi feita em todos aqueles sítios por onde ficamos naqueles momentos mesmo antes de adormecer morta de cansaço.

A outra tem uma história completamente diferente – fiz as primeiras malhas nos nossos primeiros quilómetros em Portugal e já estávamos no Minho quando percebi que não tinha comprado lã suficiente para as acabar. No final até que foi engraçado ter usado outra cor porque agora torna-se muito fácil diferenciá-las.

Este foi o primeiro par de meias que fiz para o Miguel e decidi experimentar alpaca – ainda estou hesitante com a alpaca, há coisas que gosto e há coisas que não gosto assim tanto. De qualquer forma foi engraçado usar um fio diferente e fazer um par de meias com tanto significado.




It is funny when you think about it – I mean the places where things are made. Nowadays this seems like a recurrent theme and it’s a great thing too.

In this particular case however one sock was made in Spain. It was made in a very very filled up and confusing car when I was not driving. It was made in several places we stayed when I was tired and about to go to sleep.

The other one, it was a completely different story – I first cast the stitches in our first kilometers in Portugal and we were already in Minho when I realized I didn’t had enough wool to finish it. It is a funny thing I used another color since now they are very easy to identify.


This is the first pair of socks I made for Miguel and I decided to work with alpaca – I have mixed felling on the whole alpaca thing, there are things I like but there are also other things I don’t like about alpaca wool. Anyway, it is also fun to try new things and make a pair of socks with such meaning.